Congresso derruba veto de Lula e põe fim às saídas temporárias de presos no regime semiaberto
Com a promulgação da nova lei, saídas temporárias chegam ao fim e presos do regime semiaberto não poderão mais visitar a família em datas comemorativas

O Congresso Nacional derrubou, nesta terça-feira (28), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e pôs fim às saídas temporárias nos feriados e datas comemorativas para presos no regime semiaberto. A proposta estabelecendo uma nova lei para as saídas tramitou na Câmara e no Senado Federal no primeiro trimestre do ano e recebeu aprovação das casas antes de ir à sanção.
O Planalto acatou a proposta, mas vetou o dispositivo que proibia as visitas dos presos às famílias em datas comemorativas como Natal e Dia das Mães. Lula argumentou que a proibição era inconstitucional por ferir a família e o dever do Estado de protegê-la. Esse veto acabou derrubado pelo placar de 314 votos a 136 na Câmara dos Deputados, e 52 votos a 11 no Senado Federal. Agora, o dispositivo vetado será promulgado pelo Congresso Nacional, e o direito às saídas imediatamente revogado.
A nova lei das saídas temporárias permitirá que os presos do regime semiaberto deixem as prisões apenas para estudos e trabalho. Aqueles condenados por crimes hediondos ou praticados com violência e grave ameaça não poderão sair em qualquer hipótese.
No início da sessão, a oposição capitaneada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) já havia derrotado os aliados do Planalto conseguindo a manutenção de um veto de Jair Bolsonaro (PL) à Lei de Segurança Nacional pelo placar de 317 votos a 139. Esse veto aguardava há três anos para ser analisado pelos deputados e senadores.
À época, o então presidente da República revogou a antiga Lei de Segurança Nacional, de 1983, e definiu um novo rol de crimes contra o Estado Democrático de Direito. Bolsonaro, contudo, vetou importantes dispositivos contidos na versão original da proposta de lei aprovada pelo Congresso Nacional.
O primeiro veto — também mais polêmico, que retornou às redes bolsonaristas nos últimos dias — impedia a tipificação do crime de disseminação de notícias falsas. A proposta original dos parlamentares previa pena de até cinco anos de prisão para quem cometesse o crime de "comunicação enganosa em massa" — ou seja, disparo de notícias mentirosas. Os aliados do governo passado sustentam que tal dispositivo fere a liberdade de expressão e resultaria em perseguição política.
Bolsonaro também barrou o dispositivo que previa aumento da pena para os militares que atentassem contra a democracia no Brasil. O projeto de lei original estipulava que agentes ligados a ataques golpistas perdessem o posto ocupado, a patenta e a graduação. Outra previsão contida na proposta igualmente previa aumento de perna para crimes cometidos com uso de arma de fogo ou por servidores públicos.
Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.



