Congresso contesta decisões do STF sobre Emendas Pix e Orçamento Secreto
Decisão do ministro Flávio Dino de limitar o repasse dessas emendas fez com os parlamentares elevassem o tom contra o governo Lula e o STF

O Congresso Nacional apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) dois recursos para reverter decisões que limitaram a execução das emendas Pix e do Orçamento Secreto.
Em relação às emendas Pix, a Câmara e o Senado argumentam que a decisão do STF, que suspendeu o pagamento das emendas, confere ao Executivo uma "autonomia desmedida" sobre o orçamento.
A suspensão foi determinada pelo ministro Flávio Dino e permite repasses apenas em casos de calamidade pública ou para obras em andamento. O Congresso solicita a revogação dessa decisão e a redistribuição do caso para o ministro Gilmar Mendes.
Em 2023, foram destinados R$ 6,7 bilhões via emendas Pix, que são transferências diretas a Estados e municípios, sem necessidade de projetos ou aprovação técnica do governo federal. A Procuradoria Geral da República (PGR) questiona a falta de transparência desses repasses, alegando que não há clareza sobre a aplicação dos recursos.
Sobre o Orçamento Secreto, o Congresso contestou as novas regras estabelecidas por Dino para a execução dos restos a pagar, e argumenta que a decisão do STF restringiu a criação de novas despesas, mas permitiu a recomposição de dotações conforme a proposta orçamentária.
O Congresso defende que a utilização das emendas do relator-geral, autorizada pela Constituição, é uma medida transitória e emergencial para concluir o orçamento após o prazo para emendas.
Novo embate entre os Poderes
As recentes decisões do STF que limitam o poder do Congresso sobre o orçamento não foram bem recebidas no Congresso Nacional e ajudaram a elevar, novamente, a disputa entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.
Além da ação contestada no Supremo, no Senado os parlamentares começaram a se manifestar sobre a polêmica. Após reunião de líderes na quinta-feira (8), o líder da oposição na Casa, senador Marcos Rogério (PL-RO), defendeu a manutenção das emendas e atacou o governo Lula, que segundo ele, estaria por trás das atitudes do STF.
Segundo o texto, o ente federado beneficiado deve indicar, em até 60 dias após o recebimento dos recursos, informações relativas à sua destinação — por meio da plataforma Transferegov.br, mantida pelo Poder Executivo.
Além disso, prevê a obrigatoriedade de uma prestação de contas anual e individualizada, por meio dessa mesma plataforma, e que os recursos sejam movimentados em contas correntes específicas.
O texto está em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), mas ainda não tem relator definido.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



