Com a nova presidência da Frente Evangélica, Lula fica mais longe da bancada
O grupo com 138 deputados e 15 senadores defende pauta prioritariamente de costumes

A mudança na presidência da Frente Evangélica no Congresso Nacional pode afetar a relação da bancada com o Palácio do Planalto. Na última quarta-feira (7), o deputado federal Eli Borges (PL-TO) tomou posse como presidente, assumindo o posto de Silas Câmara (Republicanos-AM). A troca pode afastar ainda mais a bancada evangélica do governo.
Apesar de ter uma pauta ideológica e não partidária, a composição do grupo e a participação dos partidos no governo também ditam o ritmo da relação. O antigo presidente da frente é filiado ao Republicanos, partido que detem o ministério dos Portos e Aeroportos, ocupado pelo deputado federal Silvio Costa Filho. O novo presidente faz parte dos quadros do Partido Liberal, que compõe a oposição e é a sigla do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Interlocutor
No Congresso, a bancada evangélica tem 138 deputados (entre 513) e 15 senadores (entre 81). Os números expressivos fazem com que o governo necessite estabelecer o mínimo de diálogo com o grupo. Embora a mudança de comando da frente possa impor algumas dificuldades ao planalto, há pontes que podem ser construídas e mantidas. Além do própria Silas Câmara, a frente conta com um outro nome importante, Alexander Barroso, conselheiro nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O advogado é interlocutor da Frente para assuntos jurídicos e tem transito no judiciário, entre parlamentares petistas e com a bancada católica.
Pauta ideológica
O ponto de tensão entre os evangélicos e o governo, no momento, não é uma pauta ideológica, mas afeta diretamente o grupo. O Ministério da Fazenda derrubou a portaria que concedia isenção de tributos para líderes religiosos no mês passado e afetou em cheio os pastores. Para além da polêmica do momento, são questões de conflito entre o governo e os evangélicos pautas ligadas ao aborto e à família, por exemplo.
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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.



