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CNJ adia para agosto debate sobre fim da aposentadoria compulsória de juízes

A discussão envolve o fim da aposentadoria compulsória como punição máxima em casos disciplinares graves

Por, Brasília
Ministro Edson Fachin
Edson Fachin, presidente do STF, vota pelo adiamento de fim da aposentadoria compulsória de juízes • Nelson Jr/STF

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adiou para o dia 4 de agosto a discussão sobre mudanças nas punições aplicadas a magistrados que cometem faltas disciplinares graves. O tema estava previsto para ser analisado nesta terça-feira (23), mas foi retirado da pauta após pedido do presidente do órgão, o ministro Edson Fachin.

A proposta em debate prevê o fim da aposentadoria compulsória como punição máxima para juízes e desembargadores em processos disciplinares. A ideia é que, nos casos mais graves, a sanção passe a ser a perda do cargo, sem direito à remuneração.

Fachin afirmou que o adiamento tem como objetivo ampliar o diálogo entre os conselheiros e buscar um consenso sobre o texto antes da votação.

"Com autorização das conselheiras e conselheiros, proclamo que o conselho, por unanimidade, suspendeu o julgamento para retomá-lo na sessão subsequente, nos termos do voto do relator", afirmou o ministro durante a sessão.

A discussão ganhou força após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF) que defenderam a perda do cargo como punição para infrações disciplinares graves. Em março, o ministro Flávio Dino revogou a aplicação da aposentadoria compulsória com vencimentos proporcionais em casos de violações consideradas graves.

A medida atinge situações em que magistrados são acusados de condutas como venda de sentenças, assédio moral ou sexual e concessão de benefícios indevidos a integrantes de organizações criminosas.

Embora o tema ainda esteja em debate, a avaliação dentro do CNJ é de que há convergência sobre a necessidade de revisar as regras atuais. O adiamento foi visto como uma forma de ajustar o texto e construir uma posição mais ampla entre os integrantes do conselho antes da votação prevista para agosto.