Alcolumbre articula neutralidade de União e PP para se reaproximar de Lula
Presidente do Senado atuou pela liberdade da federação nos estados e retomou diálogo com o petista

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), atuou nos bastidores para que a federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas (PP), mantivesse neutralidade na disputa presidencial de 2026. A movimentação ocorreu em meio à tentativa de Alcolumbre de reconstruir a relação política com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A decisão permite que os diretórios estaduais tenham liberdade para formar alianças de acordo com os interesses locais. Segundo fontes do Palácio do Planalto, Alcolumbre trabalhou pela neutralidade não apenas no cenário nacional, mas também em estados considerados estratégicos para as eleições.
Na prática, União Brasil e PP podem apoiar candidatos ligados ao governo Lula em algumas regiões e nomes de oposição em outras. O modelo evita que a federação fique vinculada a uma única candidatura presidencial e preserva o espaço de negociação dos partidos para a formação de palanques estaduais.
A União Progressista reúne duas das maiores forças do chamado Centrão e possui peso significativo no Congresso e nas disputas estaduais. Por isso, a decisão de não assumir um lado na eleição presidencial amplia o espaço para negociações com diferentes grupos políticos.
A articulação ocorreu antes de um encontro que marcou a retomada do diálogo entre Lula e Alcolumbre, na semana passada. Os dois passaram por um período de desgaste político nos últimos meses, mas voltaram a se aproximar.
Segundo interlocutores, Lula e Alcolumbre se encontraram na casa do ministro Alexandre de Moraes, em um gesto de aproximação entre os dois. O encontro não foi registrado nas agendas oficiais. Questionado sobre os assuntos tratados, Alcolumbre respondeu que os temas eram “segredo”.
A melhora na relação é relevante para o governo porque Alcolumbre tem influência sobre a pauta do Senado e exerce papel central nas negociações de projetos de interesse do Palácio do Planalto.
Para Alcolumbre, a estratégia permite que União Brasil e PP avancem em alianças estaduais sem necessariamente assumir um compromisso nacional com Lula ou com Flávio Bolsonaro (PL).
O movimento mantém a federação com liberdade para negociar apoios e palanques de acordo com a realidade política de cada estado, enquanto a disputa presidencial de 2026 se encaminha para um cenário de maior polarização.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



