Câmara de Contagem discute eventual volta de trem de passageiros na Grande BH
Audiência contou com a presença de vereadores da região metropolitana, representantes da prefeitura, de movimentos sociais e também do governo federal

Diversas pessoas se reuniram nesta quarta-feira (2), na Câmara Municipal de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, para discutir uma eventual volta do trem de passageiros, desativado há mais de 30 anos no município.
Na audiência pública, convocada pela vereadora Adriana Souza (PT), estiveram presentes representantes da prefeitura de Contagem, do Partido dos Trabalhadores, do governo federal, entidades sindicais, além de vereadores das Câmaras de Betim, Santa Luzia, Belo Horizonte e Ribeirão das Neves.
A ideia de um traçado ferroviário intermunicipal já havia sido apresentada pela prefeita Marília Campos (PT) — inclusive ao governo federal. O percurso teria, no total, 41,1 km de extensão, partindo do centro de Belo Horizonte, com paradas em Contagem e em Betim.
Para Cristina Oliveira, que faz parte do movimento, a volta do transporte é uma "reparação histórica" para os usuários que perderam o serviço devido à concessão. "O governo federal não pode renovar a concessão automática com a VLI, que não cumpriu com as obrigações, e não queremos um par de trens bate e volta, queremos o trem como alternativa de transporte para os moradores da região metropolitana", disse.
De acordo com a vereadora Marcela Menezes (PT), de Ribeirão das Neves, a implementação do trem iria permitir uma maior "integração" da Grande BH, possibilitando, por exemplo, que os usuários circulassem nos municípios levando menos tempo do que gastariam para fazer o mesmo deslocamento de ônibus. "Nós já temos os trilhos, já temos o espaço... A parte mais difícil desse processo seriam as desapropriações do espaço urbano, mas esses trilhos já existem, eles já são uma realidade", disse.
O que diz o governo federal?
O coordenador geral de obras e projetos da Secretaria Nacional de Transporte Ferroviário (SNTF), Henrique Oliveira Mendes, explicou que para que o projeto avance é preciso ser feito:
- A definição da característica do projeto (urbana metropolitana ou regional);
- Alinhamento entre governos federal, estadual e municipal;
- Compartilhamento da faixa de domínio;
- Fontes de recurso e receitas alternativas;
- Integração física e tarifária;
- Definição de posicionamento das estações.
"Estamos abertos à discussão, mas são debates com momentos e interlocutores diferentes. Não é uma questão da prorrogação ou não da concessão (da VLI) que irá viabilizar ou não o transporte de passageiros. Nesse caso, não será só um par de trens, vamos ter a quantidade de pares necessários para aderir à demanda".
Audiência em BH
Segundo a vereadora de BH, Luiza Dulci (PT) — que esteve em Contagem — a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) também irá realizar uma audiência pública, no dia 8 de maio, para discutir a retomada do serviço no transporte metropolitano.
Jornalista formada pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem anterior pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, integra a cobertura da editoria de Política.



