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Brasil mobilizou tecnologia, cães farejadores e hospital de campanha em missão na Venezuela

Coordenador da operação humanitária explica como foi o trabalho das equipes brasileiras após os terremotos que devastaram o país

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Brasil mobilizou tecnologia, cães farejadores e hospital de campanha em missão na Venezuela • Aline Pessanha | Itatiaia

O coordenador da missão humanitária brasileira enviada à Venezuela após os terremotos que atingiram o país no fim de junho, Armin Braun, afirmou nesta sexta-feira (10), na Base Aérea em Brasília, que as equipes enfrentaram um dos cenários mais complexos já registrados em operações internacionais de busca e salvamento. Diretor do Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad), Braun detalhou como foi a atuação dos brasileiros, desde os resgates sob os escombros até a instalação do hospital de campanha que continua atendendo a população venezuelana.

Segundo ele, o Brasil integrou uma força internacional coordenada pela Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da rede Insarag, responsável por organizar as equipes de busca e resgate em grandes desastres: "O atendimento a terremotos mobiliza muitos países. Existe uma rede organizada pela ONU justamente para esse tipo de desastre. Nós chegamos de maneira organizada, foram definidos os locais de operação e as equipes internacionais conseguiram resgatar 14 pessoas com vida, além de diversas vítimas fatais que foram entregues às famílias."

Estruturas pesadas dificultaram o resgate

Braun explicou que a principal dificuldade foi o tipo de construção encontrado na região atingida. Segundo ele, os edifícios possuíam estruturas de concreto e ferragens extremamente resistentes, o que aumentou tanto o número de mortes quanto o tempo necessário para alcançar sobreviventes: "Muitas vezes, para chegar a uma vítima, é um trabalho que dura muitas horas. Às vezes você precisa romper cinco ou seis lajes até conseguir acessar um pequeno espaço onde a pessoa está. É uma operação feita por equipes de vários países trabalhando juntas."

Além da complexidade estrutural, outro fator aumentava o risco para os socorristas: "A gente ainda enfrentava um calor muito intenso e o risco constante de réplicas do terremoto. Nós sentimos algumas durante a operação e a preocupação era que elas acontecessem justamente quando as equipes estivessem dentro dos escombros."

Tecnologia e cães farejadores ajudaram nas buscas

A missão brasileira reuniu bombeiros de Minas Gerais, São Paulo e Paraná, além de especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), engenheiros estruturais e equipes com cães farejadores.

Segundo Braun, o trabalho envolveu diferentes tecnologias para localizar sobreviventes: "Levamos equipes com cães especializados, sensores de vida, equipamentos de rastreamento de celulares e engenheiros que avaliavam a segurança das estruturas antes da entrada dos socorristas. É uma operação extremamente técnica." Encerrada a etapa de busca por sobreviventes, o foco da missão passou a ser o atendimento humanitário.

Braun destacou que a Marinha brasileira montou rapidamente um hospital de campanha para suprir a falta de atendimento médico na região: "A cidade ficou sem abastecimento de água, sem energia e muitos hospitais também foram danificados. Por isso o hospital de campanha foi fundamental. Também enviamos medicamentos, vacinas, purificadores de água e equipes de engenharia."

Missão continua

De acordo com o coordenador, a atuação brasileira ainda não terminou. Agora, o trabalho se concentra na recuperação dos serviços essenciais e na avaliação estrutural dos prédios para permitir o retorno seguro da população.

Braun explicou que uma eventual nova missão poderá incluir engenheiros brasileiros para auxiliar na reconstrução das áreas atingidas: "A busca e salvamento foi apenas a primeira fase. Agora vem a assistência humanitária, depois o restabelecimento dos serviços essenciais e, por fim, a reconstrução. Se a Venezuela solicitar novamente apoio do Brasil, tenho certeza de que estaremos prontos para ajudar."

O diretor do Cenad também destacou que o Brasil foi muito bem recebido durante toda a operação: "O Brasil sempre leva uma ajuda muito fraterna. Nossa equipe foi recebida com muito carinho pela população e procurou atender cada chamado com rapidez e empatia."

A missão brasileira mobilizou 82 especialistas e integra uma das maiores operações internacionais de ajuda humanitária já realizadas pelo país em resposta a desastres naturais na América do Sul.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.