Belo Horizonte
Itatiaia

Brasil levará até 2029 para ter licença-paternidade de 20 dias

Ampliação será gradual ao longo de quatro anos; hoje, benefício é de apenas cinco dias

Por e , Brasília
Presidente Lula sancionou o projeto aprovado pelo Congresso nesta terça-feira (31) • Ricardo Stuckert / PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta terça-feira (31), o projeto de lei que amplia a licença-paternidade no Brasil, mas a mudança só será plenamente efetiva em 2029, quando o benefício chegará a 20 dias.

Apesar da sanção, o aumento não será imediato. Atualmente fixada em cinco dias, a licença passará para 10 dias apenas em 2027, subirá para 15 dias em 2028 e só atingirá o novo teto dois anos depois.

A nova legislação amplia o direito em casos de nascimento, adoção ou guarda da criança, mas mantém o modelo de implementação gradual, o que adia os efeitos mais amplos da política pública.

O texto também prevê uma exceção: em caso de falecimento da mãe, o pai poderá ter direito a até 120 dias de afastamento, com salário integral.

Outro ponto é a possibilidade de parcelamento da licença. O pai poderá utilizar metade do período logo após o nascimento ou adoção e o restante em até 180 dias.

 

A proposta cria ainda o chamado salário-paternidade, nos mesmos moldes do salário-maternidade. Com isso, o custo do benefício deixa de ser responsabilidade direta das empresas e passa a ser arcado pela Previdência Social. Micro e pequenas empresas poderão ser reembolsadas pelos valores pagos durante o afastamento.

Durante a cerimônia, Lula defendeu a medida como um passo para ampliar a participação dos pais nos cuidados com os filhos.

“A mulher já conquistou o mercado de trabalho, mas o homem ainda não conquistou a cozinha e esta lei aqui vai ensinar os homens a aprender a dar banho em criança, acordar de noite para cuidar da criança quando chora, ele vai ter que aprender a trocar fralda – e hoje é muito mais fácil”

Luiz Inácio Lula da Silva (PT), presidente

A ampliação da licença-paternidade ocorre após cobrança do Supremo Tribunal Federal (STF), que reconheceu a omissão do Legislativo em regulamentar o tema. Ainda assim, o modelo aprovado estabelece uma transição lenta, o que, na prática, mantém por mais alguns anos a limitação atual enfrentada por pais trabalhadores no país.

Por

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

Por

Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.