Itatiaia

Bolsonaro será preso? A ofensiva de Moraes e o contragolpe do judiciário no mês do Golpe de 64

O presidente do TSE tirou o sigilo de 27 depoimentos colhidos no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro

Por
Ex-presidente Jair Bolsonaro/Agência Brasil.jpg
Bolsonaro será preso? A ofensiva de Moraes e o contragolpe do judiciário no mês do Golpe de 64 • Marcos Correa/Agência Brasil

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de Moraes, retirou nesta sexta-feira (15), o sigilo de 27 depoimentos colhidos no inquérito que investiga uma suposta tentativa de golpe que estaria sendo coordenado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados.

Um dos depoentes, o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica, disse que o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, ameaçou prender o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) caso ele atentasse contra o regime democrático. Bolsonaro teria sido advertido durante reunião dos chefes das Forças Armadas após o segundo turno das eleições presidenciais em 2022.

Segundo Freire Gomes, Bolsonaro apresentou uma minuta que previa a aplicação da Garantia da Lei e da Ordem. Os depoimentos podem desmontar a argumentação da defesa do ex-presidente, que tem afirmado que ele desconhecia a existência de minutas à época.

Mês do Golpe

Apoiadores de Lula afirmam que os depoimentos colocam Bolsonaro no centro da trama golpista. A divulgação dos documentos se dá justamente no mês de março, que marca o início da ditadura militar e do Golpe de 64 no Brasil, que foi decretado no dia 30. Coincidência ou não, as provas testemunhais podem comprometer Bolsonaro. A ação de Moraes pode ser lida como uma tentativa "contragolpe".

Apesar das buscas e apreensões do mês de fevereiro, no âmbito da Operação Veritati, terem alcançado aliados de Bolsonaro e ele mesmo, que teve o passaporte apreendido, a príncipio, a Polícia Federal não teria elementos para prender o ex-presidente. No entanto, com a divulgação dos depoimentos, o Supremo Tribunal Federal, vai pavimentando um caminho que implica Bolsonaro. Não significa que ele vá ser preso de imediato, mas difunde a informação de que ele teria responsabilidade na trama.

Timing político

Vale lembrar que, mesmo que haja provas, uma possível prisão do ex-presidente tem um timing político. Se for preso muito cedo, além de provocar uma reação em massa de apoiadores, ele pode reverter a prisão e a condenação, a ponto de ser um possível candidato em 2026.

Popularidade

A divulgação dos depoimentos pode minar esse apoio popular de Bolsonaro, pois mostra militares citando uma suposta intenção de golpe. Com isso, vale o raciocínio de que ficam ao lado de Bolsonaro os que não se importam em ser associados à ideia de golpe, mas aqueles que temem repercussões negativas se afastariam. Aos poucos, a imagem do ex-presidente vai sendo desgastada.

Participe dos canais da Itatiaia:

Por

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

 

 

Belo Horizonte