Atrito entre Zema e Flávio não impede chapa entre PL e Novo no Paraná
O ex-governador tem tentado se desvincular da imagem do senador após a divulgação de mensagens entre o filho do ex-presidente Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro

A estreita e sinuosa relação atual do ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos pré-candidatos à Presidência da República, não impediu o Partido Liberal de fechar uma chapa com o Novo no Paraná, no Sul do país.
Apesar do atrito, a sigla do clã Bolsonaro deve formalizar nos próximos dias o lançamento da pré-candidatura do senador Sérgio Moro (PL-PR) ao governo do estado e do deputado federal Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado.
Na última segunda-feira (25), em entrevista à Bandeirantes, o ex-governador havia dito que, apesar das críticas, as alianças entre o Novo e o PL em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Goiás foram firmadas sob a garantia de que não existiam vínculos dessa natureza envolvendo Flávio.
Linha do tempo do atrito
Antes de as mensagens entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, virem à tona, os irmãos do senador, Eduardo (PL-SP) e Carlos (PL-SC) Bolsonaro, já estavam com o pé atrás em relação a Zema.
Isso porque, em 2025, o então governador mineiro afirmou que Eduardo, à época deputado federal, precisava rever sua atuação junto ao governo dos Estados Unidos. Na ocasião, Zema chegou a dizer que questões particulares não poderiam ser colocadas acima do interesse nacional, no contexto em que a Casa Branca aplicava tarifas elevadas ao governo do presidente Lula (PT) como resposta a uma suposta perseguição jurídica contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Eduardo rebateu as declarações do mineiro e sugeriu que o governador estaria preocupado com a "turminha da elite".
Paralelamente, sem citar nomes diretamente, o ex-vereador Carlos Bolsonaro publicou uma mensagem, no ano passado, comparando governadores da direita a "ratos".
Mais à frente na linha do tempo, com Zema e Flávio já colocados como pré-candidatos, o nome do ex-governador chegou a ser ventilado como possível vice-presidente do filho de Bolsonaro em uma eventual chapa — hipótese sempre negada pelo novista.
No último dia 11 de abril, Zema e Flávio, em clima de descontração e bom humor, publicaram um vídeo juntos, brincando sobre uma possível aliança nas eleições de outubro.
Pouco mais de um mês depois, em 13 de maio, vieram à tona mensagens que revelaram uma relação entre Flávio e Vorcaro, envolvido em uma das maiores fraudes do sistema financeiro do país. Nos áudios e textos divulgados pelo The Intercept Brasil, o senador aparece cobrando dinheiro do banqueiro para financiar o longa Dark Horse, que retrata a vida de Bolsonaro.
No mesmo dia, Zema publicou um vídeo no qual afirmou que a situação era "imperdoável" e classificou o episódio como "um tapa na cara dos brasileiros de bem".
A resposta dos irmãos Bolsonaro foi quase instantânea. Em 14 de maio, Eduardo afirmou que Zema fez uma "acusação sem fundamentos". "Não seja tão baixo, tão vil", disse.
Carlos também saiu em defesa de Flávio e chegou a fazer referência ao vídeo em que Zema come casca de banana. "Não me venha dizer que é ataque. É apenas uma constatação frente a mais uma bizarra apresentação", escreveu.
Desde então, o ex-governador tem investido em artilharia contra o senador e adversário na corrida eleitoral. Ao contrário de outro nome do campo conservador, Ronaldo Caiado (PSD-GO), também pré-candidato e que adotou um tom mais moderado, Zema já disse estar "muito decepcionado", afirmou que o episódio era "página virada" e, recentemente, declarou que quem votasse em Flávio estaria "entregando a eleição" para Lula (PT).
Conforme apuração da coluna Poder em Minas, da Itatiaia, apesar da desaprovação do núcleo mais duro do bolsonarismo dentro do Novo — especialmente no Sul do país —, há quem avalie que o afastamento foi necessário para demonstrar certa independência partidária. Alguns interlocutores ouvidos pela reportagem chegaram a dizer que as declarações do ex-governador seriam benéficas do ponto de vista eleitoral.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.



