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Apesar de negociação técnica, candidatos vão fazer uso político do tarifaço

Flávio acusa Lula de provocar os EUA, e petista volta a usar o 'Tariflávio'

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Senador Flávio Bolsonaro (PL)
Senador Flávio Bolsonaro (PL) • Jefferson Rudy | Agência Senado.

Apesar de fontes do setor privado e do próprio governo afirmarem que o debate sobre a nova etapa do tarifaço dos Estados Unidos imposto ao Brasil é mais técnico do que político, os principais candidatos vão fazer uso político da taxação para tentar prejudicar os adversários.

Enquanto Lula deve reforçar a narrativa do "Tariflávio", atribuindo ao clã Bolsonaro a responsabilidade pela taxação e remetendo à articulação que teria sido feita pelo deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro em reação ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro deve sustentar que a postura dos Poderes Executivo e Judiciário brasileiros cria um ambiente pouco amigável para a relação entre Brasil e Estados Unidos.

Já o entendimento técnico é que, diferentemente do primeiro tarifaço, quando o Brasil sofreu uma punição maior do que a aplicada a outros países — majoração que muitos atribuem a fatores da política doméstica —, desta vez a taxação está inserida em um contexto global, no qual dezenas de países são alvo da mesma política tarifária.

Nesta nova etapa, segundo negociadores ouvidos pela Itatiaia, os Estados Unidos impõem tarifas sobre importações para utilizar esses recursos no incentivo à produção interna de bens considerados estratégicos e dos quais o país é dependente. Na avaliação de fontes da coluna, o componente político, desta vez, está muito mais do lado do governo americano, como parte de uma estratégia protecionista e geopolítica, do que do governo brasileiro.

Sendo assim, a decisão de Donald Trump teria pouca relação tanto com a articulação do clã Bolsonaro quanto com eventual incômodo em relação às posições do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o multilateralismo e o uso de moedas alternativas ao dólar nas transações internacionais.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast 'Abrindo o Jogo', que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.