Ativista bolsonarista, ex-coordenador do Iphan 'alfineta' Nikolas após decisão do TSE
'Nada como um dia após o outro', escreveu o advogado Victor Lucchesi
Ex-coordenador administrativo do Iphan em Minas e ligado ao deputado federal Marcelo Álvaro Antônio (PL-MG), o advogado e ativista bolsonarista Victor Lucchesi foi às redes sociais para publicar uma "indireta" contra Nikolas Ferreira (PL-MG) após a decisção do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar a chapa do PRTB de candidatos à Câmara de BH em 2020 por ter se utilizado de candidaturas fantasmas para, supostamente, fraudar a cota feminina.
"Nada como um dia após o outro. O chicote injusto que determinadas “estrelas da direita” usaram, por pura maldade e egoísmo, contra seus correligionários conservadores agora bate neles próprios", escreveu Lucchesi, fazendo referência à Nikolas. A coluna apurou que o advogado aponta a terceiros que Nikolas teria feito, nos últimos anos, críticas a Marcelo Álvaro Antônio pelo suposto uso de candidaturas laranjas na eleição de 2018. "Toda arrogância será castigada", escreveu em outra mensagem.
No ano passado, Lucchesi tentou articular uma aliança com Nikolas para que ele ajudasse a ativista Amanda Teixeira Dias, filha de Marcelo Álvaro Antônio, a ganhar espaço e preparar uma candidatura à Assembleia. O ex-vereador, no entanto, não se aliou ao grupo.
O processo julgado pelo TSE na última sexta-feira (31) foi movido pelo PSOL, que recorreu à Justiça Eleitoral em Brasília após uma decisão negativa do Tribunal Regional Eleitoral em Minas Gerais (TRE-MG).
O PRTB foi o partido pelo qual o hoje deputado federal Nikolas Ferreira foi eleito em 2020, com a segunda maior votação daquele pleito - ficando atrás apenas da vereadora Duda Salabert, hoje no PDT. Caso Nikolas ainda fosse vereador, ele também perderia a cadeira, conforme a decisão do TSE.
Além disso, o Tribunal ainda determinou a anulação dos 42.202 votos obtidos pela chapa do PRTB. Agora, é preciso definir quem irá assumir a vaga de Uner Augusto. O TRE-MG marcou para o dia 18 de abril uma audiência para realizar a retotalização dos votos, para definir os novos quocientes eleitorais e partidários. Somente após essa audiência, a Justiça Eleitoral informará quem irá assumir a cadeira na Câmara Municipal.
A cota de gênero faz parte da legislação eleitoral e determina que cada partido ou coligação reservem, ao menos, 30% das vagas da chapa proporcional (ou seja, de vereadores ou deputados) para um gênero - masculino ou feminino.
Desde que a regra passou a se tornar obrigatória, em 2009, a Justiça Eleitoral tem atuado para evitar as chamadas "candidaturas-laranja", que simulam a candidatura sobretudo de mulheres com o objetivo de fraudar o cumprimento da regra.
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
