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Assessoria técnica avaliará se Cid descumpriu decisão do STF ao ficar calado, diz presidente da CPMI

Ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro poderia ficar calado em perguntas que pudessem incriminá-lo

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Assessoria técnica avaliará se Cid descumpriu decisão do STF ao ficar calado, diz presidente da CPMI.
Assessoria técnica avaliará se Cid descumpriu decisão do STF ao ficar calado, diz presidente da CPMI. • CNN Brasil

Uma assessoria técnica avaliará se Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), descumpriu medida judicial ao permanecer totalmente em silêncio durante depoimento na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro.

“É um direito que cabe ao depoente, e nós da CPMI, na medida que o Supremo disse que ele deveria e tinha obrigação de responder aquilo que tinha conhecimento e não o incriminava, e nem assim ele respondeu, obviamente que vamos verificar com a assessoria jurídica da comissão para saber até que ponto isso foi um descumprimento de ordem judicial”, explicou o deputado federal Arthur Maia (União Brasil-BA), presidente da CPMI.

Cid havia sido convocado para depor à CPMI, ou seja, era obrigado a comparecer. Ele conseguiu, porém, uma decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), pela ministra Cármen Lúcia, para que ficasse em silêncio nos casos que pudessem incriminá-lo.

Entretanto, ele não respondeu a nenhuma pergunta dos deputados, incluindo qual era sua idade.

Ainda durante a sessão desta terça, Arthur Maia afirmou que a conduta do tenente-coronel era desrespeitosa à decisão do STF, levantando a possibilidade de fazer uma denúncia contra o depoente à Suprema Corte.

Mauro Cid foi preso em maio deste ano por suspeita de participação em um suposto esquema de fraude em certificados de vacinação contra a Covid-19.

Ele também é investigado em outros dois inquéritos que apuram seu envolvimento nos atos criminosos de 8 de janeiro e no caso das joias recebidas pelo governo Bolsonaro da Arábia Saudita.

Perguntas sem resposta

A sessão desta terça-feira (11) da CPMI que investiga os atos criminosos do 8 de janeiro começou por volta de 9h20, com o objetivo de ouvir o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro.

Os parlamentares aprovaram diversos requerimentos, que incluem acesso a documentos, relatórios de inteligência financeira e quebras de sigilo, assim como o telemático de Mauro Cid. Veja a lista completa nesta matéria.

O depoimento em si começou por volta de 10h30. Antes disso, Cid utilizou a palavra para dizer que sua nomeação para a função ao lado de Bolsonaro “jamais teve qualquer ingerência política”, anunciando que usaria o direito ao silêncio.

Veja o discurso na íntegra:

Segundo informações confirmadas pelo Exército à CNN, Cid foi orientado pela Força Armada a comparecer fardado na sessão da CPMI.

“O Centro de Comunicação Social do Exército informa que o Tenente-Coronel Mauro César Barbosa Cid foi orientado pelo Comando do Exército a comparecer fardado à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), pelo entendimento de que o militar da ativa foi convocado para tratar de temas referentes à função para a qual fora designado pela Força”, afirmou o Exército em nota.

A sessão terminou por volta das 19h.

*com informações de Lucas Schroeder, da CNN