Após autuação, Ancine aguarda defesa de produtora que gravou filme Dark Horse sem autorização
A agência autuou a empresa estrangeira após duas tentativas de comunicação para saber motivos da falta de comunicação; produtora não deu respostas

A Agência Nacional do Cinema (Ancine) aguarda defesa da Go Up Entertainment, responsável pela gravação da biografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, sobre o motivo de não ter buscando autorização prévia junto ao órgão. A Ancine abriu um processo administrativo contra a empresa estrangeira após duas tentativas de comunicação que não tiveram retorno da produtora.
As regras do setor audiovisual brasileiro exigem que qualquer filmagem no país tenha registro junto a Ancine, já que a agência é responsável pelas regras tributárias e regulatórias cinematográficas do país. No caso do filme Dark Horse, a Go Up Entertainment não comunicou a agência sobre as gravações.
Após denúncia, a Ancine autuou a empresa e aguarda a apresentação de recursos que esclarecem os motivos. Há, portanto, a apuração da denúncia sobre possíveis irregularidades relacionadas à produção de obra audiovisual estrangeira no país e os motivos que levaram à falta de comunicação.
A abertura do processo não representa, portanto, uma conclusão de que houve crime ou fraude. O processo está em andamento e a Go Up ainda poderá recorrer. A Ancine informou que não antecipa conclusões sobre a apuração e divulgará os resultados apenas quando o processo for concluído. Caso sejam confirmadas irregularidades, a agência adotará as medidas previstas em lei.
Produtora com atuação tímida no setor
A Go Up Entertainment foi aberta em dezembro de 2021, em São Paulo, e ganhou projeção nacional ao assumir a produção brasileira de Dark Horse. Antes do longa, quase não havia informação pública sobre outros filmes produzidos pela empresa e ela não figurava entre produtoras com renome no setor audiovisual.
Apesar disso, é registrada com atividades como operação de estúdios cinematográficos e também com produção, distribuição de filmes e publicidade.
A empresa tem como sócia-administradora Karina Ferreira da Gama, que é ligada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). A organização já foi alvo de investigações em São Paulo, incluindo uma suspeita de irregularidades em um contrato do ICB com a Prefeitura paulistana para a instalação de pontos de internet gratuita.
Filme sobre Jair Bolsonaro
Dark Horse é uma produção internacional que conta a trajetória política de Jair Bolsonaro. O foco é na disputa eleitoral de 2018 que o levou de deputado federal a presidente da República. Inclui, ainda, o atentado a faca sofrido por ele durante a campanha eleitoral. A previsão de lançamento é para depois das eleições de outubro deste ano.
O ex-presidente é interpretado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, conhecido por protagonizar A Paixão de Cristo. A direção é de Cyrus Nowrasteh, enquanto o roteiro tem a contribuição do deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial da Cultura durante o governo Bolsonaro.
O financiamento do longa foi polêmico por envolver investidores como Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master. Em maio, áudios e documentos divulgados pela Intercept Brasil apontaram que o então candidato ao Palácio do Planalto, senador e filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), teria procurado o banqueiro para pedir dinheiro para a produção do filme.
Havia a previsão de repasses de cerca de R$ 134 milhões, dos quais aproximadamente R$ 61 milhões teriam sido pagos.
A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para investigar supostos desvios na destinação de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares que teriam beneficiado entidades e empresas ligadas à produção do filme. O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), acatou o pedido de investigação dos repasses ao filme.
A Go Up Entertainment nega ter recebido dinheiro de Vorcaro. A empresa afirmou que o longa conta com investimentos estrangeiros e que os dados sobre os investidores estão protegidos por acordos de confidencialidade.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



