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Abin e funcionários defendem investigação a PF contra Ramagem por espionagem ilegal

Órgão que teria sido usado para investigar adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro diz ser o ‘maior interessado’ na apuração contra o ex-diretor

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Abin, central da inteligência do governo federal, é sediada em Brasília • José Cruz/Agência Brasil

Diretamente ligada ao escândalo envolvendo supostas investigações paralelas, conduzidas de forma ilegal pelo seu ex-diretor, Alexandre Ramagem, a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) se pronunciou nesta sexta-feira (26), defendendo as investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF). Na quinta-feira (25), a Operação Vigilância Aproximada cumpriu 21 mandados de busca e apreensão, além de afastar preventivamente sete agentes da própria PF que teriam integrado o suposto grupo criminoso que se instalou na agência durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em nota, a Abin afirmou que vem colaborando com as investigações e que é a “maior interessada” na apuração. A atual gestão também informou que está colaborando com inquéritos da PF e do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre “eventuais irregularidades” cometidas no período de uso de ferramenta de geolocalização da agência, no período de 2019 a 2021.

A investigação

Segundo a investigação da Polícia Federal, o esquema ilegal de espionagem supostamente conduzido pelo ex-diretor da Abin e deputado federal, Alexandre Ramagem (PL-RJ) envolvia o uso de um software isaralense chamando “FirstMile”, capaz de obter dados de geolocalização em dispositivos móveis, como celulares e tablets, sem autorização judicial e sem o conhecimento de quem estava sendo monitorado.

A operação foi chamada de “Vigilância Aproximada”, e é um desdobramento da operação “Primeira Milha”, iniciada em outubro de 2023 para investigar o suposto uso criminoso deste software “FirstMile” dentro da Abin.

O programa - adquirido durante a gestão do ex-presidente Michel Temer - permite o rastreio do paradeiro de qualquer pessoa através do dispositivo móvel. É possível ver o histórico de deslocamentos e criar alertas em tempo real de movimentações em diferentes endereços.

O sistema teria sido usado para espionar adversários políticos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), jornalistas e até ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação da PF aponta que houve uma intensificação desse uso ilegal em 2021.

A operação “Vigilância Aproximada” apura se Ramagem, ex-diretor da agência, teria chefiado de uma organização criminosa que teria se infiltrado na Abin com o propósito de realizar monitoramento ilegal de autoridades públicas e indivíduos. De acordo com a investigação, o uso da ferramenta de monitoramento era feito sem a devida autorização judicial.

Os investigados podem responder pelos crimes de: invasão de dispositivo informático alheio; organização criminosa e interceptação de comunicações telefônicas, de informática ou telemática sem autorização judicial ou com objetivos não autorizados em lei.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

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