A sugestão de colegas a Léo Burguês: renúncia para evitar 'processo custoso'
Líder do governo Kalil foi indiciado pela polícia por suposto esquema de corrupção na Câmara de BH
Parlamentares e lideranças políticas de Belo Horizonte querem tentar convencer o vereador Léo Burguês (União) a renunciar ao mandato sem que a Câmara Municipal precise iniciar um processo de cassação. A iniciativa foi levantada por colegas de Burguês durante este fim de semana. O vereador foi indiciado pela Polícia Civil em um inquérito que apura suposto esquema de rachadinha, funcionários fantasmas e corrupção em seu gabinete na época em que atuava como líder de governo da gestão Alexandre Kalil (PSD) na Casa.
Na avaliação de líderes da Casa, o processo de cassação, classificado por alguns como "inevitável" por conta da repercussão do indiciamento, seria custoso aos colegas e prejudicaria o funcionamento do Legislativo municipal. Na ideia a ser proposta a Burguês, ele poderia deixar o mandato para se dedicar à sua defesa na Justiça.
Aliás, o vereador também usou o fim de semana para tentar se proteger. Ao longo de sábado e domingo, Burguês ligou para colegas de Câmara já visando impedir uma tentativa de cassação de mandato e contar quantos votos teria para barrar a abertura de um processo interno.
Em 2022, a estratégia de vereadores para "preservar" a Câmara de um processo de cassação deu certo: investigado por rachadinha e outras irregularidades de gabinete, o então vereador Rogério Alkimin (PMN) renunciou ao cargo antes da abertura do procedimento. Ele foi pressionado por colegas durante semanas até aceitar a ideia.
Investigação
Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. É colunista da Rádio Itatiaia. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.
