Alexandre Silveira diz que governo Bolsonaro copiou projeto do ICMS e critica Paulo Guedes

Senador defende transparência da Petrobras sobre represamento do preço baseado o mercado internacional

Alexandre Silveira

Além do projeto que limita a 17% a cobrança de ICMS (Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação) sobre combustíveis, energia, telecomunicações e transporte público, o Senado também terá que discutir uma proposta de emenda à Constituição que permite o repasse de recursos do governo federal para ressarcir os estados pela isenção de ICMS sobre diesel e gás de cozinha. O senador Alexandre Silveira (PSD) apresentou uma PEC sobre o mesmo assunto no início do ano e, de acordo com ele, com a proximidade da eleição, a proposta está sendo copiada pelo governo Bolsonaro. O senador foi o entrevistado do Abrindo o Jogo desta segunda-feira (13).

“Combustível ficou inviável para todos nós. E a gente sabe que a consequência dos aumentos reiterados do diesel é uma grande divergência minha desse governo. Assim que assumi o mandato, propus uma PEC exatamente igualzinha que está sendo colocada agora essa semana, que era para poder criar condições de a gente conter a inflação, principalmente na alta dos combustíveis”, disse o senador, que critica o fato de ninguém alterar os lucros dos acionistas e nem do próprio governo.

“Já que é uma cláusula pétrea, que ninguém admite a possibilidade de se discutir os altos lucros dos acionistas da Petrobras, que no mínimo os dividendos da parte da União sejam utilizados, em momentos extraordinários como esse, para poder amortizar a inflação, para poder minimizar os impactos na bomba do combustível, principalmente do óleo diesel. Isso foi rechaçado pelo ministro Paulo Guedes de forma contundente, dizendo que não era uma política equilibrada. E o que é equilibrado então? Deixar as pessoas passarem fome?”, questiona.

Alexandre Silveira (PSD) destaca ainda o fato de o governo só agir para reduzir o preço dos combustíveis em ano de eleições. “Até espero que isso dê resultados para a população. Acho que dificilmente dará resultado a curto, curtíssimo prazo, mas espero que as medidas tomadas agora, que eu propus em fevereiro, sejam medidas que diminuam os impactos do preço do custo de combustíveis”.

O entrevistado do Abrindo o Jogo afirma que antes de qualquer medida tomada pelo parlamento é necessário saber o quanto, de fato, a Petrobras está fazendo o represamento de preços internacionais para que os aumentos não cheguem com tanta frequência ao bolso do consumidor.

“Fiz ao presidente do Congresso Nacional uma observação: o que nós precisamos ter é informações seguras da Petrobras desse pseudo represamento de preço que dizem que ela está fazendo. Porque se ela tiver fazendo represamento, precisamos quantificar qual que é esse represamento. Não adianta tomarmos nenhuma medida legislativa efetiva que não venha impactar na bomba do combustível”, ressalta o senador, que votará a favor da medida somente de houver total transparência.

“O governo Federal não pode continuar terceirizando responsabilidades. A política econômica do governo está equivocada”, disse.

Alexandre Kalil

Sobre as eleições, o senador acredita que o PSB, que tem candidato próprio ao governo de Minas, deve se aliar ao PSD, que tem como pré-candidato Alexandre Kalil. “Será muito natural esse alinhamento em Minas Gerais. Claro que respeitando a prerrogativa do PSB de colocar uma candidatura própria. Mas eu acho que esse diálogo será estabelecido e acredito muito na convergência do campo democrático que vai visar a eleição do presidente Lula (PT), do governador Alexandre Kalil e a gente submeter o nosso nome à apreciação do povo mineiro para o Senado da República”, disse Silveira.

13º salário do Auxílio Brasil

Sobre pautas que estão no Congresso, Silveira avalia que o 13º salário do Auxílio Brasil, de autoria dele, possa ser aprovado antes das eleições.

Silveira também defende a descentralização da tomada de decisões do Executivo federal, para fortalecer os municípios e também uma reforma do Ministério da Economia, com a separação da pasta do Planejamento.

O senador também aponta o que considera os principais problemas a serem atacados no Brasil.

“Nós temos primeiro questões imediatas, que é (sic) ter sensibilidade, entender Brasil e socorrer a população mais pobre. Segundo, tem um Ministério do Planejamento forte. Infelizmente, eu vejo hoje uma delegação muito grande pro atual ministro da Economia (Paulo Guedes). Ele é um superpoder em Brasília, ele toma todas as decisões, todos os ministros estão insatisfeitos com ele, porque ele não tem sensibilidade humana e não conhece o Brasil. Fez-se um grande mal ao Brasil de se fundir o Ministério do Planejamento com o Ministério da Economia. Os dois se equilibravam”.

A entrevista na íntegra você acompanha no Podcast Abrindo o Jogo em áudio e em vídeo no Youtube.

Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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