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Saiba por que aves domésticas precisam de interação e enriquecimento ambiental

Falta de estímulo pode causar estresse e até automutilação nos pets, orientam especialistas

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Boas práticas no transporte de calopsitas contribui não apenas para a segurança da ave, mas também para a tranquilidade do tutor
O comportamento da automutilação é uma válvula de escape para a ansiedade e o tédio. • Freepik

Especialistas alertam que Populares como o vira-lata caramelo, aves como calopsitas e periquitos são cada vez mais comuns como animais de estimação, mas ainda enfrentam um problema frequente: a falta de informação dos tutores sobre o estímulo adequado no ambiente doméstico. 

Segundo veterinários, o tédio pode levar a problemas comportamentais sérios, o que impacta diretamente o bem-estar e pode comprometer a saúde do animal.

“A ausência de estímulos pode fazer com que a ave desenvolva comportamentos como arrancar as próprias penas”, explica a médica-veterinária Tatiana Cunha.

Diferente de outros animais, como os gatos, a calopsita enxerga o tutor como parte de seu bando e, na ausência de estímulos ou companhia, pode desenvolver quadros de apatia e depressão.

A depressão em aves, tecnicamente associada ao estresse crônico, se manifesta de forma clara no comportamento. Um dos sinais mais alarmantes é a picagem, comportamento em que a ave começa a arrancar as próprias penas e a causar feridas na pele.

De acordo com especialistas da Associação Brasileira de Veterinários de Animais Selvagens (Abravas), esse comportamento é uma válvula de escape para a ansiedade e o tédio.

"Uma calopsita saudável gasta grande parte do dia se exercitando e interagindo; quando ela para de cantar, de se limpar ou começa a se automutilar, o alerta de sofrimento mental é máximo", destacam as diretrizes técnicas da entidade. 

Ambiente pobre também afeta a saúde do pet

“O enriquecimento ambiental é essencial para garantir qualidade de vida às aves em cativeiro”, afirma o veterinário Alexandre Reche, professor da faculdade de veterinária da Universidade de São Paulo (SP)

A recomendação é oferecer atividades que simulem comportamentos naturais. A Itatiaia separou algumas dicas:

  • Disponibilizar brinquedos variados
  • Alternar objetos na gaiola
  • Permitir interação com o tutor
  • Garantir espaço para movimentação.
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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.