Por que ainda cortam o rabo dos cães e o que a lei diz sobre isso
No Brasil, a prática é proibida sem indicação clínica; a fiscalização é limitada, e a mudança depende de conscientização

O corte do rabo em cães, conhecido como caudectomia, é uma prática comum apesar dos avanços na proteção animal e do crescente debate sobre os direitos dos pets. Por que muitos tutores ainda optam por cortar os rabinhos e quais medidas legais existem para conter a prática?
A ciência veterinária moderna e órgãos de proteção animal consideram o corte do rabo uma mutilação desnecessária que causa dor e sofrimento aos cães. Segundo a Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), “a caudectomia é uma prática que deve ser evitada, salvo em casos clínicos devidamente justificados”.
No Brasil, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) reforça que “a mutilação de qualquer parte do corpo do animal, sem justificativa terapêutica, é proibida”.
Em muitos países europeus, como o Reino Unido e a Alemanha, a prática é ilegal, exceto por razões de saúde.
Apesar da legislação, o corte de rabos ainda acontece, muitas vezes por desconhecimento dos tutores ou por pressão do mercado de estética canina.
“Infelizmente, ainda há um resquício de cultura que associa o rabo cortado à beleza ou à pureza da raça”, explica a médica-veterinária Marina Costa, especialista em comportamento animal.
Ela ressalta que “o procedimento pode causar complicações, como infecções e dores crônicas, afetando a qualidade de vida do animal”.
Alguns especialistas apontam a importância de campanhas educativas para educar a população e conscientizar os tutores.
“É fundamental que o tutor busque orientação profissional e recuse práticas que não tragam benefícios ao bem-estar do animal”, aconselha a médica-veterinária Dra. Fernanda Lima, membro da Associação Brasileira de Medicina Veterinária Comportamental.
No passado
Em algumas raças, como o Doberman e o Boxer, o corte do rabo era feito para evitar lesões durante o trabalho, já que esses cães eram usados como guardiões e precisavam de maior proteção para não se ferirem em ambientes hostis.
Outros relatos indicam que o corte servia para evitar que cães fossem facilmente capturados pelo rabo por outros animais ou inimigos.
Antes vista como prática normal, a caudectomia agora é alvo de críticas fundamentadas na ética e no conhecimento científico sobre dor e bem-estar animal.
“É preciso avançar na conscientização para que o corte de rabos seja definitivamente abandonado”, conclui Marina Costa.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



