Polícia encontra 117 cães enterrados em abrigo nos EUA e investiga maus-tratos
Descoberta levanta suspeitas de crueldade animal, fraude e mortes provocadas por disparos

Uma investigação sobre suspeitas de maus-tratos a animais revelou uma cena chocante no norte da Califórnia, nos Estados Unidos. Autoridades localizaram os corpos de 117 cães enterrados na propriedade do abrigo Miranda's Rescue, situado na cidade de Fortuna. Segundo informações do site argentino Infobae, o caso é tratado como uma das maiores apurações envolvendo possível crueldade animal na região e ainda está em fase inicial.
A operação começou após denúncias feitas em abril sobre possíveis irregularidades no funcionamento do abrigo. Diante das informações recebidas, a Justiça autorizou mandados de busca que permitiram escavações em diferentes pontos do terreno, onde havia indícios de enterros clandestinos.
Durante as buscas mais recentes, os investigadores encontraram os corpos de 117 cães em dois locais distintos da propriedade. Além disso, foram localizados 21 crânios, centenas de ossos, cerca de 600 coleiras e vários microchips, que agora serão analisados para tentar identificar os animais.
Veterinários especializados realizaram exames em parte dos corpos ainda no local. Segundo as análises preliminares, muitos dos cães apresentavam fragmentos de bala, indicando que podem ter morrido após serem atingidos por disparos. Outros animais estavam em estágio avançado de decomposição, o que dificultou a remoção dos restos mortais.
A investigação também identificou um espaço dentro de um galpão que, segundo os agentes, pode ter sido utilizado para matar os cães. O local agora faz parte do conjunto de evidências analisadas pelas autoridades.
As suspeitas começaram a ganhar força após uma primeira operação realizada em maio. Na ocasião, investigadores constataram que um número significativo de cães entregues ao abrigo por outras instituições não constava mais nos registros oficiais, levantando dúvidas sobre o destino desses animais.
O xerife do Condado de Humboldt, William Honsal, afirmou, à imprensa local, que o trabalho está apenas começando e ressaltou que a apuração será extensa devido à quantidade de provas que ainda precisam ser analisadas.
"Esta investigação está apenas começando", declarou. "Há uma enorme quantidade de informações para analisar, testemunhas para entrevistar e evidências para examinar."
Até o momento, nenhuma pessoa foi formalmente acusada. As autoridades afirmam que o objetivo é conduzir uma investigação completa antes de decidir se haverá denúncias por crueldade animal, fraude ou outros crimes.
O fundador do Miranda's Rescue, Shannon Miranda, havia divulgado um comunicado dias antes da descoberta dos corpos. No texto, afirmou que o abrigo seguia uma política de "não sacrificar" animais apenas para abrir vagas e que a eutanásia era adotada somente em situações consideradas excepcionais, envolvendo doenças graves ou comportamento que representasse risco.
Segundo Miranda, sempre que esse procedimento foi realizado, as autoridades locais foram previamente informadas, mesmo quando isso não era exigido por lei.
"Miranda's Rescue é um abrigo sem sacrifício. Não realizamos eutanásia em animais apenas para abrir espaço", afirmou.
Ele também pediu que o público aguardasse os resultados da investigação antes de tirar conclusões sobre o caso.
A reportagem destaca ainda que, enquanto a apuração prossegue, equipes especializadas seguem analisando os microchips, os exames forenses e os demais materiais recolhidos para esclarecer quantos animais morreram, em que circunstâncias isso ocorreu e se houve prática sistemática de crimes dentro do abrigo.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



