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Cor da pelagem influencia a personalidade dos gatos? Veja o que diz a Ciência

Pesquisas mostram que a personalidade dos felinos depende muito mais da genética, da socialização e do ambiente do que da cor do pelo, apesar das crenças populares

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A proposta ainda precisa avançar nas próximas etapas legislativas, mas já indica uma mudança na forma como a Justiça brasileira trata os animais em casos de separação • Freepik

É comum ouvir que gatos laranjas são mais sociáveis, que os pretos são misteriosos ou que os de pelagem escamada têm um temperamento mais difícil. Essas ideias atravessaram gerações e continuam influenciando a forma como muitas pessoas enxergam os felinos. Mas será que existe alguma comprovação científica para essas crenças?

De acordo com uma reportagem publicada pelo site Infobae, as pesquisas disponíveis garantem que a resposta é não. Até o momento, não há evidências sólidas de que a cor da pelagem seja capaz de determinar a personalidade de um gato. Embora alguns estudos tenham identificado diferenças estatísticas em determinados comportamentos, os próprios especialistas alertam que esses resultados apresentam limitações importantes e não permitem estabelecer uma relação direta entre cor e temperamento.

Grande parte dos trabalhos científicos sobre o tema foi baseada em questionários respondidos por tutores, o que pode introduzir um fator de subjetividade. Afinal, quem já acredita que um determinado tipo de gato seja mais agressivo ou mais dócil pode interpretar o comportamento do animal de forma influenciada por essa expectativa.

A genética explica a cor, não a personalidade

Enquanto a relação entre pelagem e comportamento permanece sem comprovação, a genética responsável pelas cores dos gatos é bastante conhecida pelos pesquisadores.

Os genes que determinam as tonalidades preta e laranja, por exemplo, estão ligados ao cromossomo X. Isso explica por que a maioria dos gatos laranja é macho e por que os gatos com pelagem escamada, conhecida como carey, são quase sempre fêmeas.

Machos com esse padrão de cores são extremamente raros e, quando aparecem, geralmente apresentam alterações genéticas incomuns.

O que os estudos observaram

Uma pesquisa realizada com mais de mil tutores avaliou relatos sobre comportamento agressivo em gatos de diferentes cores. Os resultados indicaram que animais de pelagem carey, preta e branca ou cinza e branca foram descritos como mais agressivos com maior frequência.

No entanto, os próprios pesquisadores destacaram que os gatos não foram observados diretamente. Além disso, os níveis médios de agressividade registrados foram baixos e as diferenças podem refletir mais a percepção dos donos do que características reais dos animais.

Especialistas afirmam que esse tipo de viés pode criar uma espécie de ciclo. Se uma pessoa acredita que determinado gato será mais agressivo por causa da cor da pelagem, tende a tratá-lo com mais cautela ou tensão. O animal percebe esse comportamento, fica mais ansioso e acaba reagindo de maneira compatível com a expectativa criada.

Socialização faz muito mais diferença

Veterinários especializados em comportamento animal destacam que a personalidade dos gatos é moldada principalmente pela socialização nos primeiros meses de vida, pelas experiências acumuladas e pelo ambiente onde vivem.

Embora os felinos sejam menos sociais do que os cães, eles podem conviver muito bem com pessoas e outros animais quando recebem estímulos adequados desde cedo. Também é importante oferecer um ambiente enriquecido, com brinquedos, espaços para exploração e oportunidades para expressar comportamentos naturais.

Quando a cor interfere na adoção

As crenças sobre a pelagem também acabam influenciando a adoção de gatos.

Dados de abrigos mostram que gatos pretos costumam permanecer mais tempo esperando por um novo lar do que animais de cores mais claras. Entre as explicações estão antigas superstições e até fatores práticos, como a ideia de que eles aparecem menos nas fotografias publicadas em sites de adoção.

Há relação entre pelagem e saúde?

Embora a cor não determine a personalidade, algumas características da pelagem podem estar associadas a determinadas condições de saúde.

Um dos exemplos mais conhecidos envolve gatos brancos com olhos azuis, que apresentam maior probabilidade de nascer com surdez congênita. Os especialistas explicam que essa associação está relacionada aos genes responsáveis pela pigmentação e não ao comportamento do animal. Também existem estudos que investigam possíveis ligações entre determinadas cores e algumas doenças, mas essas relações parecem estar mais ligadas à genética do que à cor da pelagem propriamente dita.

O que define o comportamento de um gato?

O consenso científico é que não é possível prever a personalidade de um gato apenas observando sua cor.

Fatores como genética individual, socialização, ambiente, manejo, experiências ao longo da vida e, em alguns casos, até a raça exercem influência muito maior sobre o comportamento do animal do que a tonalidade de sua pelagem.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.