Espaço para pets se tornou critério de decisão na compra de imóveis de alto padrão
Para a especialista, áreas pet equipadas têm peso semelhante ao de academia ou piscina na percepção de valor do empreendimento

O pet deixou de ser “tolerado” e passou a ser tratado como morador VIP nos condomínios de luxo. O Brasil já soma 168 milhões de animais de estimação, e em São Paulo (SP), por exemplo, quase um terço dos lares têm pelo menos um cachorro. Essa presença massiva transformou o mercado imobiliário: hoje, empreendimentos de alto padrão passaram a incluir áreas planejadas para cães e gatos como parte da lista de diferenciais valorizados por compradores exigentes.
Em bairros nobres da capital paulista, como Vila Madalena, Moema e Aclimação, novos lançamentos já oferecem pet places completos, com brinquedos, áreas gramadas e fácil acesso pelo elevador.
“Hoje, áreas pet equipadas têm peso semelhante ao de academia ou piscina na percepção de valor do empreendimento”, diz Patrícia Martinez, vice-presidente de marketing da Cyrela, empresa do mercado imobiliário.
O condomínio Seed, por exemplo, implementou um miniparque exclusivo com piso especial e brinquedos de agility, além de um pet spa equipado para banho e tosa sem sair do prédio.
Outro caso é o Urban Bela Vista, que prevê um pet care como parte das áreas comuns, com espaço dedicado à higiene e ao bem-estar dos animais. Em alguns empreendimentos, serviços adicionais como passeadores e creches caninas em sistema pay-per-use já são oferecidos aos moradores.
Pesquisas reforçam essa mudança de comportamento. Segundo o DataZAP+ de 2023, cerca de um terço dos compradores considera a área pet um item fundamental na decisão de compra, à frente de comodidades tradicionais como academia, salão de festas ou piscina. Incorporadoras confirmam que essa demanda deixou de ser diferencial e passou a ser obrigação no mercado de alto padrão paulistano.
As dificuldades enfrentadas por tutores em relação à moradia com animais sejam exclusivas do Brasil. Em outros países, as restrições podem ser ainda mais rígidas. Nos Estados Unidos, por exemplo, é comum a cobrança de uma taxa mensal adicional por cada pet que reside em imóveis alugados, além da limitação frequente de até dois animais por residência.
Já no Reino Unido, a situação tende a ser ainda mais restritiva, com grande dificuldade para encontrar imóveis de aluguel que aceitam animais, independentemente da quantidade. Esse cenário, inclusive, pode influenciar decisões pessoais relevantes, como a escolha do país para realização de estudos avançados.
Para muitos tutores, não há a possibilidade de se separar dos animais, o que torna a aceitação de pets um critério essencial. Ainda que exista o desejo por espaços adequados, como áreas gramadas em condomínios, questões básicas de acesso à moradia permanecem prioritárias.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



