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Campanha sobre morte assistida usa eutanásia animal para provocar debate

Campanha compara decisão sobre pets com direito de escolha humana e reacende discussão ética no Brasil

Cachorro grande de cor caramelo deitado, foto com close no rosto do cachorro
A proposta é “estimular o debate sobre autonomia e dignidade no fim da vida”, segundo a associação responsável pela campanha • Cachorro

Uma campanha recente em defesa do direito à morte assistida tem chamado atenção na internet ao usar a eutanásia animal como ponto de comparação para discutir decisões sobre o fim da vida humana. A estratégia, que inclui um vídeo com forte apelo emocional, reacendeu o debate sobre autonomia, ética e limites legais no Brasil.

 

O filme publicitário Cachorrinho é uma iniciativa de estreia da campanha criada pela associação Eu Decido, que busca levar para o debate público um tema ainda sensível no país: o direito de decidir sobre a própria morte.

 

No material, a associação argumenta que uma decisão que parece natural no caso de um animal, pode se tornar impossível quando se trata de um ser humano. A partir disso, propõe uma reflexão sobre por que os humanos, em condições semelhantes, não têm o mesmo direito garantido por lei.

 

"A Eu Decido acredita que cada pessoa é a única que pode decidir sobre seus cuidados de saúde e, em especial, sobre o fim da sua vida", afirma a presidente da entidade, a advogada Luciana Dadalto, especialista em bioética e em testamento vital, em entrevista ao veículo Folha de S.Paulo.

 

 A abordagem, no entanto, divide opiniões. Enquanto defensores veem a comparação como uma forma de tornar o tema mais acessível, críticos apontam diferenças éticas importantes entre humanos e animais.

 

"A comparação do filme não é perfeita, uma vez que é a tutora que decide pelo cachorro, mas levanta uma reflexão importante: por que podemos escolher pelos nossos pets, mas não por nós mesmos?", diz Dadalto.

 

Hoje, o Brasil reconhece oficialmente duas possibilidades diante de doenças graves. Um deles é a distanásia, em que a vida é prolongada ao máximo, mesmo com sofrimento. Outro é a ortotanásia, que permite recusar tratamentos e evitar intervenções que apenas estendam o processo de morrer.

 

O que falta, para a Eu Decido, é uma terceira opção: a possibilidade de interromper a vida de forma assistida, por decisão do próprio paciente.

 

"Morrer com dignidade é um direito humano e um direito fundamental, devendo a pessoa ser a única responsável pela escolha do que é, para ela, uma vida digna. Entendemos ‘boa morte’ como aquela com o máximo possível de autonomia e autodeterminação", finaliza a presidente da entidade.