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A ilha do Japão onde os gatos são maioria: restam poucos humanos para cuidar deles

Aoshima ficou conhecida mundialmente pela enorme quantidade de gatos em comparação com seus moradores humanos, mas a história da pequena ilha japonesa vai muito além da curiosidade

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ilha dos gatos no japao
暇・カキコ/Wikimedia Commons

Imagine viver em um lugar onde os gatos são muito mais numerosos do que as pessoas. Essa é a realidade de Aoshima, uma pequena ilha localizada na província de Ehime, no sul do Japão.

O local ficou famoso justamente por sua população felina. Em 2024, havia cerca de 80 gatos para apenas quatro moradores humanos, uma diferença que transformou Aoshima em uma das chamadas "ilhas dos gatos" do Japão.

A situação atual é ainda mais impressionante quando comparada ao passado. A ilha já teve centenas de moradores e chegou a abrigar mais de 200 gatos. Hoje, tanto a população humana quanto a felina são bem menores.

Por que existem tantos gatos em Aoshima?

A presença dos gatos na ilha tem relação com a antiga atividade pesqueira da região. Os animais foram levados para Aoshima porque ajudavam a controlar os ratos que apareciam nos barcos de pesca e ameaçavam os recursos utilizados pelos pescadores.

Com o passar dos anos, porém, a realidade da ilha mudou. Muitos moradores deixaram Aoshima em busca de oportunidades em outras regiões do Japão. A atividade pesqueira perdeu importância e a população humana caiu drasticamente.

Os gatos, por outro lado, continuaram no local. Sem a mesma quantidade de pessoas e com condições favoráveis para a reprodução, os felinos se multiplicaram e passaram a fazer parte da paisagem cotidiana da ilha.

Segundo informações reunidas sobre Aoshima, a comunidade chegou a ter aproximadamente 900 moradores depois da Segunda Guerra Mundial. Décadas mais tarde, apenas algumas pessoas permaneciam no local.

Uma ilha dominada pelos gatos

As imagens de Aoshima ajudam a explicar a fama conquistada pelo local. Gatos podem ser encontrados próximos às casas, ruas e áreas onde os poucos moradores vivem. A presença dos animais acabou transformando a ilha em uma atração para pessoas interessadas em conhecer um dos lugares mais curiosos do Japão.

Mas a rotina não é tão simples quanto as fotografias podem sugerir. Os poucos moradores que continuam em Aoshima ajudam a cuidar dos gatos, inclusive fornecendo alimento. Visitantes e grupos interessados nos animais também contribuem com doações.

Em uma ocasião, um pedido de ajuda divulgado nas redes sociais resultou no envio de centenas de caixas de ração para a ilha.

A população de gatos também está diminuindo

A fama de Aoshima pode dar a impressão de que o número de gatos continua aumentando. Na realidade, ocorre o contrário. Em 2024, a população felina era estimada em aproximadamente 80 animais. O número é significativamente menor do que o registrado em anos anteriores.

Um dos motivos está relacionado às campanhas de castração realizadas na ilha. A medida ajudou a controlar a reprodução e fez com que o número de novos filhotes diminuísse. Com isso, a população de gatos passou a envelhecer.

Quem vai cuidar dos gatos?

Esse é um dos principais desafios de Aoshima. Com apenas alguns moradores humanos, a comunidade depende de poucas pessoas para manter a rotina dos animais. O problema se torna ainda maior porque os moradores remanescentes também estão envelhecendo.

Caso a população humana continue diminuindo, a ilha poderá enfrentar dificuldades para manter os cuidados necessários com os gatos. A situação revela um problema muito maior do que a simples relação entre humanos e animais.

Aoshima reflete o processo de redução populacional enfrentado por algumas comunidades rurais e pesqueiras do Japão.

A famosa "ilha dos gatos" japonesa não é a única

Aoshima é uma das ilhas japonesas mais conhecidas pela grande presença de gatos, mas não é a única. Tashirojima, localizada na província de Miyagi, também ganhou o apelido de "Ilha dos Gatos". Segundo o governo japonês, o local tinha mais de 100 gatos e 55 moradores humanos em 2021.

A relação com os felinos também tem raízes históricas. Na ilha, os gatos eram valorizados porque ajudavam a controlar ratos, especialmente em uma região ligada à criação de bichos-da-seda e à pesca.

Tashirojima chegou a ganhar um santuário dedicado aos gatos, conhecido como Neko Jinja, reforçando a importância dos animais para a comunidade.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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