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Votação da CPMI do INSS deve se prolongar após leitura do relatório final

Governo Lula exonerou ministro da Agricultura para reforçar a base e garantir participação na votação

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CPMI do INSS
CPMI do INSS • Divulgação / Senado

A votação do relatório final da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS deve se estender pela madrugada de sábado (28). Por volta das 19h30 desta sexta-feira (27), o relator, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), concluiu a leitura do texto após cerca de oito horas de sessão. O documento possui quase 4 mil páginas e encerra formalmente a fase de produção de conteúdo da comissão.

A leitura começou às 9h44 e marcou a última sessão da comissão. Na quinta-feira (26), o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou a liminar que permitia a prorrogação da CPMI, impedindo que os trabalhos se estendessem além do prazo previsto. Com a conclusão da leitura, a comissão iniciou a fase de discussão do relatório. Ao menos 32 parlamentares se inscreveram para falar, com tempo mínimo de dez minutos para cada, o que deve prolongar a sessão até a madrugada.

Além do relatório principal, a votação pode sofrer atrasos devido à apresentação de um documento alternativo proposto por parlamentares da base governista. O relatório alternativo tem tamanho semelhante ao do relator, retira pontos do texto original, como o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e acrescenta novos investigados, entre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. A expectativa do grupo governista é rejeitar o relatório principal.

Para reforçar a base de votos, o governo exonerou o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), permitindo que ele retornasse ao Senado e participasse da sessão. A suplente que assumiu o cargo interinamente classificou a manobra como uma “estratégia de um governo que tem medo”. A sessão deve seguir até a conclusão da votação, ainda sem horário definido para o encerramento, encerrando oficialmente os trabalhos da CPMI do INSS.

Confusão entre parlamentares

Um bate-boca entre o relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), que terminou com ameaça de ação judicial e representação no Conselho de Ética da Câmara, marcou a sessão da CPMI do INSS desta sexta-feira (27).

A tensão começou durante a leitura do relatório final, quando Gaspar decidiu citar um discurso do ministro Luís Roberto Barroso, em meio à repercussão da decisão do Supremo que impediu a prorrogação da comissão. Incomodado com o tom, Lindbergh interrompeu: “Isso é um relatório ou um circo?”. Gaspar reagiu com ironia: “Deputado lindinho, não estamos falando de Odebrecht”. A discussão escalou rapidamente. O petista chamou o relator de “estuprador”, e Gaspar respondeu: “Sou estuprador de corrupto, como Vossa Excelência”. A discussão ainda contou com xingamentos como "cafetão", "bandido" e "cheirador".

Em conversa com a imprensa após a confusão, o relator afirmou que irá processar o deputado do PT e acioná-lo no Conselho de Ética. A jornalistas, disse que nunca respondeu por crime semelhante e classificou Lindbergh como “criminoso” e “usuário de drogas”. Mais cedo, em coletiva de imprensa, a base governista fez um pronunciamento à imprensa detalhando que recebeu denúncias que apontariam o crime de estupro por parte de Gaspar, mas os parlamentares não deram mais detalhes da acusação.

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