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Conheça a carreira política de Cleitinho Azevedo, pré-candidato ao Governo de MG

Senador mineiro lidera pesquisas para o Governo de Minas, mas ainda não decidiu se entrará na disputa de 2026

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Cleitinho Azevedo é umm homem branco cabelos escuro e utiliza paletó cinza, com camisa e gravata escuro. Segura um celular diante a um microfone.
Cleitinho Azevedo (Republicanos), senador por Minas Gerais • undefined

Sem ter decidido sobre a sua candidatura, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) segue sendo apontado como um dos principais nomes na disputa para o Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026.

Cleitinho vinha evitando antecipar uma decisão sobre a candidatura ao Palácio Tiradentes por questões familiares, principalmente em razão do tratamento contra a leucemia enfrentado pelo irmão mais novo, Matheus Azevedo. Matheus morreu no sábado (18), após complicações decorrentes de um transplante de medula óssea. O corpo foi sepultado no domingo (19), em Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas.

A demora, no entanto, tem deixado o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, impaciente. No último dia 15, houve uma reunião com Cleitinho na tentativa de fechar um palanque o quanto antes em Minas Gerais, mas sem sucesso. A pressa se deve ao fato de Cleitinho liderar pesquisas recentes sobre a disputa pelo governo estadual.

Como Cleitinho ingressou na política

Mas antes de qualquer mandato, em 2016, Cleitinho ajudava os pais no varejão da família em Divinópolis, cidade natal no interior de Minas Gerais, e arriscava a vida artística como cantor. Começou a viralizar nas redes sociais com vídeos polêmicos chutando baldes, criticando políticos e fazendo paródias. Foi o irmão gêmeo, Gleidson Azevedo (Novo) quem incentivou a transformar aquela popularidade em candidatura. 

Hoje, um irmão está no Senado Federal, o outro, Eduardo Azevedo (PL), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e o terceiro, gêmeo de Cleitinho, até pouco tempo comandava a Prefeitura de Divinópolis, mas renunciou ao cargo para concorrer a deputado federal.  

Atualmente, os três irmãos Cleitinho, Eduardo e Gleidson são figuras da política brasileira • Reprodução/Instagram
Atualmente, os três irmãos Cleitinho, Eduardo e Gleidson são figuras da política brasileira • Reprodução/Instagram

"Sou tão bom cantor que virei político"

Já no mesmo ano, Cleitinho foi eleito vereador em Divinópolis com 3.023 votos, o terceiro mais votado da cidade. A visibilidade conquistada nas redes sociais se converteu em votos. Em 2018, foi eleito deputado estadual com 115.492 votos, a quarta maior votação do estado naquele pleito.

Durante o mandato na ALMG, firmou uma imagem de "fiscal do povo", apelido construído a partir dos vídeos em que fiscalizava obras, serviços públicos e gastos governamentais, com críticas veementes às regalias exageradas que os políticos recebem. 

Cleitinho abriu mão e devolveu cerca de R$ 3 milhões em recursos do gabinete aos cofres públicos. Segundo o senador, outros deputados foram influenciados com sua ação, o que culminou na devolução de R$ 46 milhões pela Assembleia aos cofres públicos.

A projeção nacional veio nas eleições de 2022, quando foi eleito senador por Minas Gerais com 41,52% dos votos, derrotando nomes como o então senador Alexandre Silveira (PSD) e o ex-deputado federal Marcelo Aro (PP). A votação chegou a 4,2 milhões de votos.

O que Cleitinho defende

Em maio deste ano, em meio a discussão no Congresso Nacional sobre a escala 6x1, o senador subiu à tribuna do Senado Federal carregando um quilo de carne na mão. O preço final do produto no açougue era seu argumento ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União Brasil), para defender o fim da escala de trabalho 6x1. "Sabe quanto que deu? R$ 70. Hoje em dia o que o trabalhador recebe por dia trabalhado é R$ 55. Isso não compra nem um quilo de carne.”

Cleitinho defende fim da escala 6x1 • Reprodução/Senado Federal
Cleitinho defende fim da escala 6x1 • Reprodução/Senado Federal

Ao ser questionado sobre o apoio à pauta, considerada associada à esquerda, Cleitinho rebateu não ser aliado de Lula, mas sim do povo. A defesa não é uma posição isolada e integra um combate ao que ele chama de privilégios da classe política. “Se político tem auxílio-moradia, auxílio-alimentação, auxílio-paletó e auxílio-saúde, por que o povo não pode ter o auxílio-gás?”, ao apoiar publicamente, desta vez, o programa proposto pelo governo Lula (PT), Gás do Povo.

Ainda no Senado, Cleitinho apresentou propostas como a proibição de cobranças por serviços de energia elétrica não prestados, o impedimento de recolhimento de carteira de motorista por dívida, a proibição do BNDES de emprestar dinheiro a países devedores do Brasil e o fim da taxa de licenciamento de veículos. 

Também conhecido por uma postura crítica ao Supremo, Cleitinho se estendeu no rastro da delação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em vídeo publicado nas redes sociais, Cleitinho voltou a defender a criação de uma CPMI para investigar o caso e afirmou que a comissão deveria convocar não só o senador Flávio Bolsonaro (PL), cujos áudios com Vorcaro vazaram, mas também os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. 

Em entrevista concedida à Itatiaia, Cleitinho não poupou o Judiciário. "Se nós tivéssemos um país sério, já tinha ministro preso. Resumindo, é isso. Sou um dos senadores que mais se posicionam contra essa patifaria do STF", disse, acrescentando que já assinou todos os pedidos de impeachment de ministros da corte apresentados no Senado.

O que pretende fazer como governador

A renúncia fiscal, para Cleitinho, é um dos principais problemas das contas públicas de Minas Gerais. Segundo o pré-candidato, o estado teria deixado de arrecadar cerca de R$ 130 bilhões em benefícios fiscais ao longo dos últimos oito anos, valor que, na avaliação dele, representa parcela significativa da dívida mineira.

Caso Cleitinho seja eleito para o Governo de Minas, afirmou que pretende revisar esses incentivos, dar transparência às empresas beneficiadas e cobrar tributos de companhias que, segundo ele, hoje operam sob sigilo fiscal. Outro ponto que pretende atacar é a infraestrutura viária. Para isso, defende um modelo que já foi testado em Divinópolis. 

"A malha asfaltada da cidade estava 90% comprometida. O orçamento do município não daria para resolver. A gente buscou os empresários. Quando você tem credibilidade, quando você senta com o empresário e não pede para o seu bolso, você pede para o povo, o empresário atende", disse, ao anunciar que pretende replicar o modelo de parcerias público-privadas no governo estadual.

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Jornalista pela PUC Minas. Atuou na Rede Minas, no Estado de Minas e em assessoria de imprensa, com experiência em reportagem, produção de conteúdo e cobertura de temas de interesse público.

 

 

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