Em entrevista recente ao jornal espanhol El País, publicada nesta quarta-feira (18), o ator Wagner Moura teceu duras críticas à Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) e às políticas de deportação implementadas sob a gestão de Donald Trump.
O brasileiro, que reside em Los Angeles há sete anos com a esposa, Sandra Delgado, e os três filhos, Bem, Salvador e José, revelou que o clima de insegurança no país atinge até mesmo figuras públicas de seu escalão. O protagonista de O Agente Secreto confessou que, apesar de sua projeção internacional e de uma indicação ao Oscar, compartilha do receio comum a muitos imigrantes de encontrar agentes do ICE nas ruas.
Moura descreveu o cenário atual como um “momento muito feio” e expressou o temor de que sua reação instintiva contra injustiças e autoritarismo possa ter consequências fatais, afirmando categoricamente que “esses caras podem te matar”. Segundo o ator, a vigilância ostensiva tem levado famílias latinas ao isolamento, com muitos pais deixando de levar os filhos à escola por medo de detenção.
Durante a conversa, o artista também estabeleceu um paralelo direto entre o atual governo americano e o cenário político brasileiro sob a presidência de Jair Bolsonaro. Para Moura, existe uma repetição de padrões preocupantes no que diz respeito à perseguição de setores específicos da sociedade.
Ele destacou a estratégia da extrema-direita em demonizar atores, jornalistas e universidades, transformando a classe artística em “inimiga do povo” por meio de narrativas que distorcem o uso de recursos públicos e promovem o desaparecimento da verdade factual.
Com informações de Estadão Conteúdo