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Vítimas de Epstein processam Google e EUA por divulgação de dados pessoais

Quase 100 vítimas de Epstein tiveram seus nomes revelados assim como informações privadas sobre elas

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AFP

Vítimas de Jeffrey Epstein, condenado por abuso sexual, processaram o governo dos Estados Unidos e o Google por divulgação de suas identidades em documentos publicados pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Em janeiro, o governo divulgou mais de três milhões de arquivos relacionados ao caso Epstein, que puderam vincular o criminoso com diversas personalidades.

No entanto, os nomes de diversas vítimas que deveriam ser mantidas como anônimas não foram censurados.

Quase 100 vítimas de Epstein tiveram seus nomes revelados assim como informações privadas sobre elas.

"Mesmo após o governo reconhecer que a divulgação violava os direitos das sobreviventes e retirar as informações, sites como o Google continuam publicando as informações de maneira contínua, rejeitando os apelos das vítimas para a retirada", disseram as vítimas da ação.

De acordo com a ação, o Google continua exibindo informações pessoais das vítimas em pesquisas. Fotos de pessoas nuas, sem o rosto borrado, também estão nos arquivos.

"As sobreviventes enfrentam agora um trauma renovado. Desconhecidos telefonam, enviam e-mails, ameaçam sua segurança física e as acusam de conspirar com Epstein quando, na realidade, são vítimas de Epstein", afirma a ação judicial.

Quem é Jeffrey Epstein

Jeffrey Epstein foi um financista americano bem-sucedido. Ele enriqueceu com seu fundo de investimentos, o “Jeffrey Epstein VI Foundation” e convivia com celebridades, políticos, membros da realeza e outras pessoas de renome e fama mundial.

A situação começou a mudar em 2008, quando ele foi condenado por exploração sexual. Ele pagava garotas menores de idade por massagens a pessoas de seu entorno na Flórida. Um acordo judicial secreto o livrou de um julgamento federal e sentenciou a 13 meses de prisão.

O caso mais ruidoso, no entanto, ocorreu em 2019, quando Epstein foi acusado e preso por organizar uma rede de exploração sexual de menores, com as quais manteve relações sexuais em suas propriedades nos Estados Unidos e em outros países. Nomes famosos fariam parte desta rede, como o do Príncipe Andrew, da Inglaterra.

Epstein cometeu suicídio em 2019, pouco depois de ser preso, antes de ser julgado pelos crimes levantados pelo FBI.

‘Epstein files’

Epstein files’, ou arquivos do caso Epstein, é uma forma de fazer referência às investigações sobre a rede de abuso sexual de menores comandada pelo bilionário.

Há documentos que já foram tornados públicos, como a denúncia do FBI divulgada em 2019 que o tornou réu em Nova York por exploração e tráfico sexual de menores. Outros documentos públicos, segundo a BBC Brasil, são de um processo relacionado a Ghislaine Maxwell, ex-namorada de Epstein, que era seu ‘braço direito’ nos crimes.

No entanto, para várias figuras proeminentes da direita norte-americana, o governo do país esconde segredos e documentos relacionados a Jeffrey Epstein. A CNN Brasil explica que, de acordo com essa teoria da conspiração, o governo norte-americano estaria encobrindo uma lista de homens poderosos, uma espécie de “lista de clientes”, ligados a Epstein.

Trump deu força à teoria conspiratória ainda durante as eleições, quando falou em 2024 sobre a possibilidade de divulgar mais arquivos do governo dos EUA sobre o caso.

*Com AFP

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Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.