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Tragédia na Venezuela: mortos passam de 1,7 mil, e EUA aceleram envio de ajuda humanitária

Quantidade de feridos é de 5.034 e há 15.866 pessoas fora das próprias casas; um novo tremor foi registrado no país na manhã desta segunda-feira (29)

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Mais de 1.700 pessoas já foram encontradas mortas • Reprodução/Defesa Civil Venezuela

Passados cinco dias do duplo terremoto devastador que atingiu a costa e a capital da Venezuela, o Exército dos Estados Unidos intensificou operações nesta segunda-feira (29) para acelerar a entrega de suprimentos e equipes de socorro. O balanço oficial de vítimas não para de subir: já são pelo menos 1.719 mortos, mais de 5.000 feridos e dezenas de milhares de desaparecidos, consolidando este como um dos desastres mais severos da história recente da América Latina.

O passar do tempo em 72 horas para encontrar sobreviventes já se esgotou, mas o esforço internacional persiste. Equipes de resgate de 27 países, totalizando mais de 2.000 socorristas e 160 cães farejadores, atuam nos escombros.

No porto de La Guaira, a região mais castigada, depósitos foram transformados em necrotérios improvisados, onde famílias aguardam em meio à dor a liberação de documentos e corpos. Diante do cenário de calamidade, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou o fornecimento emergencial de 10.000 bolsas mortuárias, prevendo que os números finais de fatalidades continuem a avançar.

Logística de emergência e milagres em meio ao caos

Para viabilizar a entrada de insumos, fuzileiros navais americanos trabalham em regime de urgência na reconstrução da infraestrutura portuária de La Guaira. Paralelamente, militares da Força Aérea dos EUA auxiliam no restabelecimento do Aeroporto Internacional Simón Bolívar, que opera parcialmente para voos de carga e assistência humanitária.

Apesar do cenário devastador, com bairros inteiros reduzidos a pó, pequenos milagres renovam as esperanças das equipes. Em Tanaguarena, um jovem de 21 anos foi resgatado com vida após passar mais de 120 horas sob os escombros.

Em Caraballeda, uma mensagem de WhatsApp enviada por uma mulher presa nas ruínas acionou missões voluntárias de busca. A tensão, contudo, permanece alta: uma forte réplica de magnitude 4,6 abalou Caracas e La Guaira na manhã desta segunda-feira, revivendo o pânico na população, embora sem causar novos colapsos estruturais.

Crise infraestrutural e tensões políticas

Ao todo, o governo reporta que pelo menos 855 edifícios foram danificados, dos quais 189 sofreram colapso total. O desastre agrava drasticamente a realidade de um país que já enfrentava colapso econômico e severas deficiências em serviços públicos e hospitalares. Estimativas preliminares da ONU apontam que o sismo pode deixar até sete milhões de desabrigados e prejuízos materiais da ordem de US$ 6,7 bilhões (cerca de 6% do PIB venezuelano).

Nas ruas, o clima é de revolta popular pela lentidão na distribuição de auxílio estatal, o que gerou episódios isolados de saques. Em resposta, o governo venezuelano militarizou a região de La Guaira e passou a exigir salvo-conduto para médicos e voluntários, além de restringir a circulação da imprensa internacional. No plano político, a líder opositora María Corina Machado declarou à mídia internacional que planeja retornar ao país em breve diante do estado de calamidade pública.

Vítimas brasileiras

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil, país que faz fronteira com a Venezuela, informou que dois cidadãos brasileiros, sendo um homem e uma mulher, morreram na tragédia. O governo anunciou que presta assistência consular aos familiares.

*Com informações da AFP
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Alex Araújo é formado em Jornalismo e Relações Públicas pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH) e tem pós-graduação em Comunicação e Gestão Empresarial pela Universidade Pontifícia Católica de Minas Gerais (PUC Minas). Já trabalhou em agência de publicidade, assessoria de imprensa, universidade, jornal Hoje em Dia e portal G1, onde permaneceu por quase 15 anos.