Rússia faz maior ataque aéreo da guerra a Kiev; prédio do governo ucraniano é atingido
Bombardeio contou com mais de 800 drones, além de mísseis, deixando mortos e feridos na capital do país

A Rússia lançou neste domingo (7) o maior ataque aéreo a Kiev, capital da Ucrânia, desde o início da guerra. Ao menos cinco pessoas morreram.
“Esses assassinatos agora, quando a diplomacia real já poderia ter começado há muito tempo, são um crime deliberado e um prolongamento da guerra”, disse o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em uma publicação no X.
Rússia confirma ofensiva
A Rússia confirmou o ataque e disse que o alvo foram fábricas de armamentos, infraestrutura de transporte utilizada pelo Exército da Ucrânia, aeródromos e arsenais.
Zelensky afirmou também que conversou com o presidente da França, Emmanuel Macron, sobre os ataques. “Combinamos os nossos esforços diplomáticos, os próximos passos, e contatamos parceiros para assegurar uma resposta apropriada”, afirmou em mensagem no Telegram.
No X, Macron condenou a ofensiva e disse que a Rússia “está se aprofundando cada vez mais na lógica da guerra e do terror”.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, também manifestou solidariedade à Ucrânia. “Esses ataques covardes mostram que Putin acredita que pode agir impunemente. Ele não está sério sobre a paz”, afirmou.
Mais de 800 drones lançados
De acordo com autoridades ucranianas, a Rússia atacou com cerca de 810 drones e 13 mísseis. O porta-voz da Força Aérea, Yuriy Ihnat, confirmou à Associated Press que este foi o maior ataque com drones desde a invasão em larga escala.
A Ucrânia disse ter abatido ou neutralizado 747 drones e quatro mísseis. Mesmo assim, foram registrados nove impactos de mísseis e 56 ataques de drones em 37 localidades. Em oito delas, destroços caíram sobre áreas civis.
O Ministério da Defesa da Rússia afirmou que também foram atingidas fábricas de drones, depósitos e bases de lançamento de drones de longo alcance, arsenais, aeródromos, estações de radar e locais de reunião de soldados ucranianos e estrangeiros.
Mortes em várias regiões
Além da capital, a ofensiva russa atingiu o norte, sul e leste da Ucrânia, incluindo as cidades de Zaporizhzhia, Kryvyi Rih e Odesa, além das regiões de Sumy e Chernihiv.
Segundo a agência AFP, um ataque a um prédio residencial no oeste de Kiev matou duas pessoas, incluindo um bebê de três meses. Em Dnipropetrovsk, um homem de 54 anos morreu. Em Zaporizhzhia, uma mulher foi vítima de um bombardeio na manhã deste domingo. Outro ataque no sábado deixou um morto em Sumy, região próxima à fronteira com a Rússia.
“Vamos restaurar os prédios, mas vidas perdidas não podem ser recuperadas. O mundo precisa responder não apenas com palavras, mas com ações”, disse a primeira-ministra ucraniana, Yulia Svyrydenko, no Telegram.
O ministério do Interior informou que mais de 20 pessoas ficaram feridas em Kiev. Em outros pontos da cidade, apartamentos foram danificados, e moradores se reuniram nas ruas para avaliar os estragos enquanto bombeiros trabalhavam para controlar incêndios.
Negociações para cessar-fogo
Até agora, Moscou evitava atacar alvos centrais do governo em Kiev. O bombardeio reforçou o pessimismo sobre a possibilidade de um cessar-fogo em breve, já que o presidente russo Vladimir Putin resiste a negociações e mantém proximidade com a China.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse na sexta-feira (5) que trabalha em garantias de segurança para a Ucrânia que, segundo ele, ajudariam a encerrar o conflito. Ainda assim, o governo americano tem resistido a impor novas sanções mais duras contra Moscou.
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Aliados europeus reafirmaram apoio político e militar a Kiev, mas medidas concretas, como envio de tropas, seguem em discussão. O ministério da Defesa ucraniano informou que uma nova reunião com aliados está marcada para a próxima semana, quando serão debatidas defesas aéreas e suprimentos para contra-ataques.
*Com agências
(Sob supervisão de Marina Dias)
Izabella Gomes se graduou em Jornalismo na PUC Minas. Na Itatiaia, produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo. Atualmente, colabora com as editorias de Educação e Saúde.



