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Rússia e Ucrânia denunciam ciberataques após fim de trégua localizada

Aplicativos de alerta de emergência dos dois países foram alvo de ações de hackers; ataques ocorreram um dia após o encerramento de um cessar-fogo temporário na região de Kherson

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Putin e Zelensky parabenizaram Lula pela vitória na eleição
Putin e Zelensky • Reprodução/Redes Sociais

Rússia e Ucrânia denunciaram ataques cibernéticos contra seus sistemas de alerta de emergência nesta segunda-feira (2). Os dois países relataram que aplicativos utilizados para informar a população sobre ameaças militares foram comprometidos por hackers, em uma escalada de ofensivas digitais após o fim de uma trégua localizada no território ucraniano.

O Ministério de Emergências da Rússia afirmou que seu aplicativo móvel sofreu um "ciberataque em larga escala". Segundo a pasta, os invasores conseguiram inserir informações falsas na plataforma, utilizada para alertar a população sobre ataques com drones e outras ameaças.

Horas antes, a Ucrânia havia informado que suspeitava de uma invasão ao seu sistema de alerta aéreo. O aplicativo emitiu um falso aviso sobre uma possível ameaça de radiação, levando as autoridades a investigarem uma ação hacker.

A Força Aérea ucraniana e o Centro de Combate à Desinformação do país alertaram que as informações divulgadas pelo aplicativo Alerta Aéreo não correspondiam à realidade. O Centro Ucraniano para Comunicações Estratégicas atribuiu a ação à Rússia.

As denúncias ocorreram um dia após o encerramento de um cessar-fogo temporário na cidade de Oleshki, na região de Kherson, ocupada pelas forças russas desde 2022.

Trégua permitiu missão humanitária

O cessar-fogo, que vigorou entre 27 de outubro e 1º de novembro, foi estabelecido para permitir a realização de uma operação humanitária em Oleshki. A pausa nos combates possibilitou a saída voluntária de moradores para territórios controlados pela Ucrânia ou pela Rússia.

Segundo o defensor público ucraniano, Dmytro Lubinets, o acordo foi encerrado no domingo (1º). A trégua foi estabelecida com a mediação da primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump.

Apesar da pausa localizada, os combates continuaram em outras regiões. Um oficial militar ucraniano, que não teve a identidade divulgada, afirmou que as forças russas aproveitaram os últimos dias do cessar-fogo para reforçar posições, deslocar reservas de munição e utilizar drones para obter informações sobre as posições ucranianas.

Zelensky condiciona suspensão de ataques a refinarias russas

Também no domingo, o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, afirmou que Kiev poderia interromper os ataques contra refinarias de petróleo russas caso os Estados Unidos forneçam mísseis interceptadores Patriot.

Em entrevista à emissora Fox News, Zelensky declarou que Washington deveria garantir a proteção da infraestrutura energética ucraniana caso queira que o país suspenda as ofensivas contra instalações russas.

A Ucrânia tem realizado ataques frequentes contra estruturas de petróleo e gás da Rússia, argumentando que as operações são uma resposta aos bombardeios russos contra seu sistema energético.

No domingo, Moscou informou que um drone atingiu uma instalação industrial a leste de Moscou. Veículos de comunicação ucranianos relataram que o alvo seria a refinaria de Kstovo, considerada uma das maiores do país.

O presidente norte-americano, Donald Trump, tem pressionado Kiev a interromper os ataques às refinarias russas, sob o argumento de que as ofensivas contribuem para a elevação dos preços do diesel.

Negociações de paz seguem sem avanço

As negociações para encerrar a guerra entre Rússia e Ucrânia permanecem paralisadas desde fevereiro, quando teve início o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

Analistas, no entanto, avaliam que as conversas entre Moscou e Kiev, mediadas pelos Estados Unidos, podem ser retomadas ainda em novembro.

A guerra começou em fevereiro de 2022, com a invasão russa ao território ucraniano. Desde então, o conflito devastou regiões do leste e do sul da Ucrânia, provocou centenas de milhares de mortes e obrigou milhões de pessoas a deixar suas casas.

Atualmente, a Rússia controla cerca de um quinto do território ucraniano.

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