Ucrânia lança um dos seus maiores ataques com drones contra a Rússia; Terminal Petrolífero foi um dos alvos
Ucrânia intensifica ataques de drones contra a Rússia, atingindo alvos estratégicos como um terminal petrolífero em São Petersburgo, desafiando a pressão dos Estados Unidos para cessar as investidas. A ação agrava as tensões entre Kiev e a administração Trump

A Ucrânia lançou, na noite desse sábado (17), um dos maiores ataques com drones contra a Rússia neste ano, atingindo um terminal petrolífero em São Petersburgo e outros locais. A investida desafia a exigência do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para que o país pare de atingir a infraestrutura energética russa. O Ministério da Defesa russo informou ter abatido 1.015 drones ucranianos entre a noite de sábado e o domingo (18), em diversas regiões do país. Uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas nos ataques.
As tensões entre a Ucrânia e os Estados Unidos têm crescido nos últimos dias, gerando receios em Kiev de que o país possa perder um apoio essencial, justamente quando se aproxima mais um inverno sob ataques russos implacáveis. Apesar disso, a Ucrânia mantém seus ataques de longo alcance em território russo.
Segundo as autoridades russas, um dos alvos foi o Terminal Petrolífero de São Petersburgo, que tem capacidade para movimentar até 12,5 milhões de toneladas por ano. A empresa ucraniana Fire Point, fabricante dos drones utilizados na operação, relatou a ocorrência de um incêndio nas instalações do terminal após o ataque.
Um centro logístico em São Petersburgo também foi atacado, segundo a Ozon, uma empresa russa de distribuição. Os ataques também causaram danos a residências, de acordo com as autoridades locais.
A ofensiva ucraniana ocorre em um momento de deterioração na relação entre o presidente Volodymyr Zelensky e o presidente Donald Trump. Na última semana, Trump classificou as investidas de Kiev contra refinarias de petróleo russas como uma "vergonha".
Há sete dias, Trump afirmou que a Rússia e a Ucrânia haviam concordado em parar de atacar a infraestrutura energética uma da outra. Esse movimento acontece enquanto a Casa Branca tenta aliviar a pressão sobre os preços do petróleo e do diesel antes de eleições de meio de mandato cruciais. Nem Kiev nem Moscou confirmaram a existência de tal acordo.
A Ucrânia chegou a interromper brevemente esses ataques, mas os retomou posteriormente. A Rússia, por sua vez, nunca cessou suas investidas contra instalações energéticas e cidades ucranianas.
Onze pessoas morreram e quase cinquenta ficaram feridas em toda a Ucrânia, vítimas de ataques russos com mísseis e drones nas 24 horas que antecederam a manhã deste domingo (18), segundo autoridades ucranianas – incluindo o que classificaram como um ataque em larga escala contra instalações de energia na região de Odessa.
"Desde que o presidente americano anunciou, há sete dias, uma trégua no setor energético, a Rússia atacou deliberadamente os setores de energia, petróleo e gás da Ucrânia 76 vezes", escreveu Zelensky no X, neste domingo.
"Os Estados Unidos deveriam perceber que a Rússia não está adotando nenhuma medida recíproca em resposta ao alívio de sanções ou a acordos", disse Zelensky. "Pelo contrário, eles interpretam cada sinal de oportunidade de ganhar dinheiro como prova de que sua aposta na guerra está dando resultados e que podem continuar lutando."
Trump suspendeu sanções sobre a importação de diesel russo e, na sexta-feira (16), recorreu a uma autorização especial para isentar a Rússia de amplas penalidades econômicas determinadas pelo Congresso dos EUA – uma medida que provocou críticas, inclusive por parte de republicanos.
O presidente ucraniano também afirmou que o acesso das Forças Armadas ucranianas ao sistema Starlink, utilizado para orientar drones de curto alcance e drones empregados no campo de batalha, continua restrito.
"A velocidade máxima, hoje, é de 161 quilômetros por hora. Acima disso – pelo que vi e ouvi nos relatórios –, o Starlink é desativado e perdemos o drone", disse ele no último sábado (17).
Zelensky acrescentou que as restrições também afetam a defesa da Ucrânia. "Infelizmente, no momento, não podemos mais utilizar o Starlink ou o Starshield em nosso território para abater drones 'Shahed' movidos a jato" – referindo-se aos drones que têm causado tantos danos no país.
O Starshield é um sistema mais avançado, desenvolvido para atender a necessidades governamentais e de segurança nacional.
"As restrições estão em vigor em território ucraniano, mas não se aplicam dentro da União Europeia. Em outras palavras, trata-se de uma operação planejada... para nos restringir, nos isolar e nos impedir de nos defender e de proteger nosso povo", disse o presidente ucraniano no último sábado (17).
A administração Trump nega estar restringindo o serviço. Na última semana, Kiev também afirmou que passou a enfrentar ataques de mísseis balísticos russos sem qualquer alerta por parte dos aliados.
As redes de satélites dos EUA têm sido fundamentais para fornecer aos militares ucranianos avisos sobre a aproximação de mísseis.
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