Ruas de Atenas, na Grécia, são ocupadas por protestos de estudantes, professores e funcionários públicos
Manifestações registradas nesta semana pedem melhorias na educação e criticam alta no custo de vida; atos na Europa vêm se espalhando após início de mobilização histórica na França

Inspirados pela mobilização na França, estudantes, professores e funcionários públicos da Grécia foram às ruas de Atenas, capital do país, nesta quarta-feira (21), para protestar contra o alto custo de vida e deficiências do sistema educacional.
Aproximadamente 5 mil pessoas se concentram em Atenas, enquanto 3 mil estão em Tessalônica, a segunda maior cidade do país. Os números foram confirmados por um porta-voz da polícia à Agence France-Presse (AFP). Outra concentração na cidade de Patras também reuniu cerca de 3 mil manifestantes.
Para os líderes do movimento estudantil, a reivindicação é da conquista de uma educação pública e gratuita. A mobilização ainda luta contra salários baixos e custo de vida alto.
Na terça-feira (20), estudantes instalaram barracas na praça Syntagma, em frente ao Parlamento grego, em Atenas, e em uma rua exclusiva para pedestres em Tessalônica. O Adedy, sindicato de servidores públicos, convocou, por sua vez, uma paralisação e uma manifestação em Atenas.
Salários baixos, custo de vida alto e condições precárias
O salário mínimo na Grécia, apesar dos reajustes recentes, não ultrapassa 920 euros (cerca de 5.180 reais) líquidos por mês. No âmbito da educação, alunos e professores do ensino médio também protestam contra a precariedade das infraestruturas e a falta de funcionários.
Segundo o OLME, sindicato dos docentes do ensino médio, estima-se que há 15 mil professores em falta nos colégios. Além disso, um grande complexo escolar em Atenas está fechado há quase duas semanas devido a um vazamento de gás que continua sob investigação, o que deixou 4 mil alunos sem aulas.
Por isso, os manifestantes exigem um aumento dos gastos públicos em educação na Grécia, que em 2023 destinou 3,3% do seu PIB a esta área, abaixo da média da União Europeia (UE) (4,7%), segundo dados da Eurostat, a agência estatística europeia. Enquanto isso, o Adedy reivindica um aumento salarial e um apoio "substancial" aos docentes.
Na segunda-feira (19), véspera do início da mobilização, o primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, afirmou que o país nunca voltará à época de "grande agitação social" que marcou os anos da crise financeira.
Em setembro, a inflação grega foi uma das mais altas da zona do euro, chegando a 5,1%, frente aos 3,8% em média no bloco, indicou um relatório da Eurostat.
Protestos na Europa
A atual onda de protestos na Europa começou em setembro, em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, na França, ganhando rapidamente o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais. O movimento estudantil se transformou em críticas à desigualdade social no país e à violência policial durante os atos.
No fim de semana dos dias 17 e 18 de outubro, a França registrou mais de 500 mil pessoas nas ruas, sendo a maioria pacífica. Mas, durante as manifestações, que em alguns momentos tornaram-se atos violentos, uma pessoa morreu, mais de 500 policiais ficaram feridos e mais de 2 mil pessoas foram detidas.

Inspiradas no movimento francês, manifestações também passaram a ser organizadas em outros países da Europa, como Albânia, Itália e Portugal. Todos os atos têm a mesma motivação: protestar contra o alto custo de vida e a desigualdade social.
Em Portugal, por exemplo, pessoas começaram a acampar a favor do direito à moradia na Praça do Rossio, em Lisboa. O governo português é acusado de não agir para enfrentar a crise de habitação e de querer facilitar os despejos de inquilinos por meio de uma reforma do mercado de aluguéis.
A crise habitacional também é um tema relevante na Europa, marcada pela disparada de preços de aluguéis e imóveis que superam o crescimento dos salários da população: na Espanha, o despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, foi motivo de manifestações.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



