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Presidente diz que Irã tem 'vontade' de encerrar guerra, mas com condições

Masoud Pezeshkian busca garantias para que a guerra que atinge o país há pouco mais de um mês se encerre de vez

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Presidente do Irã, Masoud Pezeshkian • Reprodução / Wikimedia Commons

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou, nesta terça-feira (31), que o país tem a "vontade necessária" para pôr fim à guerra no Oriente Médio, envolvendo Israel e os Estados Unidos. Porém, o acordo de cessar-fogo precisa ter algumas garantias de que o conflito não vai se repetir.

"Temos a vontade necessária para pôr fim a este conflito, desde que sejam cumpridas as condições essenciais, especialmente as garantias requeridas para evitar que a agressão se repita", disse, reiterando uma das principais exigências de Teerã. O comentário aconteceu durante um telefonema com o presidente do Conselho Europeu, António Costa, segundo um comunicado do gabinete.

A declaração de Pezeshkian acontece um dia após intensos bombardeios sobre o Irã e depois de uma advertência da Guarda Revolucionária. O exército ideológico do Irã ameaçou atacar grandes empresas tecnológicas americanas no Oriente Médio, como Google, Meta e Apple se novos dirigentes iranianos forem "assassinados".

Diversos funcionários do alto escalação, inclusive o líder supremo da República Islâmica morreram desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, quando os EUA, com apoio de Israel, lançaram uma onda de ataque aéreos contra o Irã.

EUA querem negociar, mas não descartam ataques

Apesar dos esforços diplomáticos, não há previsão de que a guerra no Oriente Médio se encerre. O conflito, que acontece há pouco mais de um mês, é marcado por mais de duas mil mortes, além de consequências na economia mundial.

O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, disse, nesta terça (31), que os próximos dias serão "decisivos", assegurando que as negociações com o Irã "estão ganhando força". Na mesma ocasião, o norte-americano afirmou que o foco principal dos EUA é encontrar um acordo entre os países.

Mesmo destacando na fala que o "esforço principal" do país é encontrar um acordo, Hegseth pontuou que, caso não seja possível encontrar um equilíbrio entre os EUA e Irã, as forças norte-americanas estão preparadas para "continuar".

Na segunda (30), o presidente dos Estados Unnidos, Donald Trump, ameaçou o país persa com ataques a instalações energéticas, caso as negociações não chegaram a um bom lugar "rapidamente" e se Teerã não desbloquear "de imediato" o Estreito de Ormuz, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

• Reprodução / Google Stree View e Divulgação / MARINHA REAL TAILANDESA / AFP
• Reprodução / Google Stree View e Divulgação / MARINHA REAL TAILANDESA / AFP

Entenda o conflito no Oriente Médio

Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram.

Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.

Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa nesta terça-feira (17). Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.