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Guerra no Oriente Médio: Reino Unido toma decisão sobre o Estreito de Ormuz

Países da Europa e Ásia, que se declararam 'dispostos a contribuir' para a segurança da passagem marítima, participarão do encontro

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Transporte de 20% do petróleo global é feito pelo Estreito de Ormuz, no Irã
Estreito de Ormuz • Google Street Views

O Reino Unido propôs sediar, nesta semana, uma conferência internacional sobre a segurança do Estreito de Ormuz, com o objetivo de reabrir a passagem marítima. A informação foi confirmada por uma fonte do Ministério da Defesa britânico, nesta quarta-feira (25).

O encontro reunirá "os chefes de Estado-Maior das Forças Armadas" dos países signatários de um comunicado divulgado na última semana. Países como França, Reino Unido, Itália, Países Baixos e Japão fizeram parte da iniciativa. Cerca de 30 países oferecem apoio, entre eles o Emirados Árabes Unidos e Bahrein.

A reunião será presidida pelo Reino Unido e pela França. Os chefes do Estado-Maior britânico e francês, Richard Knighton e Fabien Mandon, respectivamente, estão "cientes do papel que devem desempenhar para reunir essa coalizão e ajudar a comunidade internacional a elaborar um plano que permita a reabertura de Ormuz o mais rápido possível", afirmou a fonte.

Alguns veículos de imprensa britânicos, entre eles The Guardian e The Times, reportaram que o Reino Unido propôs sediar, em uma segunda fase - em Portsmouth ou Londres -, uma conferência internacional sobre a segurança da passagem marítima para lançar uma coalizão de países comprometidos com essa missão.

O Irã fechou o Estreito de Ormuz, por onde transitavam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo, em resposta à ofensiva israelense e norte-americana. O bloqueio dessa via estratégica, onde o Irã atacou vários navios, chegou a fazer o preço do petróleo subir para perto de 120 dólares o barril.

O país persa  afirmou na terça-feira (24) que pode garantir a passagem segura de "navios não hostis" que atravessem o estreito. A república islâmica declarou nos últimos dias que não atacará países aliados, embora muitos navios estejam evitando a região devido à recusa das seguradoras em assumir riscos.

O presidente americano, Donald Trump, pressiona seus aliados a participar da segurança de Ormuz, mas o Reino Unido afirmou recentemente que isso não ocorreria no âmbito da Otan.

Entenda o conflito no Oriente Médio

Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.

Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque. Dias depois, em dois de março, o exército israelense também realizou ofensivas no Líbano, com bombardeios na Região Sul de Beirute. Logo depois, o país iniciou operações terrestres, sob a justificativas que os ataques são "limitadas e seletivas contra redutos-chave" do Hezbollah na região.

Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.

Recém-completadas três semanas de guerra, o Oriente Médio registrou mais de duas mil mortes. O Irã é o país com mais número de vítimas, contabilizando mais de 1.300 mortes segundo o embaixador do país nas Nações Unidas. Outros países também são alvos de bombardeios e ataques, como a Arábia Saudita com duas vítimas, Bahrein (2), Emirados Árabes Unidos (6), EUA (13), Iraque (32), Israel (15), Kuwait (6), Líbano (1.001), Omã (3).

Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em uma coletiva de imprensa em 17 de março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.