Israel pode perder status no Conselho da Europa após aprovar lei sobre pena de morte
Presidente da entidade que país possui papel de 'observador' afirmou que decisão de Israel vai contra os valores da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa

A decisão do Parlamento de Israel sobre uma lei que estabelece "a pena de morte para terroristas" — destinadas a palestinos — pode custar ao país o status de observador na Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), alertou a presidente da entidade, Petra Bayr, nesta terça-feira (31).
A APCE é um órgão composto por 612 parlamentares nacionais dos 46 Estados-membros, além de três países observadores — Canadá, México e Israel — atuando como um fórum de debate e defensor dos direitos humanos, demomcracia e Estado de direito. A entidade foi fundada em 1949 e reúne-se em Estrasburgo, na França, para eleger juízes do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos e monitorar conformidades.
Em um comunicado à imprensa, petra Bayr afirmou que a votação do Knesset, o parlamento unicameral de Israel, na segunda-feira (30), sobre a lei que prevê a pena de morte para palestinos da Cisjordânia condenados por ataques fatais contra judeus, "coloca em sério risco o status de observador de Israel".
Para Bayr, a votação "distancia Israel dos valores do Conselho da Europa, que rejeita a pena de morte em qualquer lugar e sobre qualquer circunstâncias", explicou. "Espero que a Suprema Corte de Israel a rejeite", acrescrentou a presidente da entidade.
Ela ainda disse que a questão poderá ser debatida durante uma sessão da Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, marcada para o dia 22 de abril em Estrasburgo.
Logo após a votação no Parlamento israelense, o secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, denunciou a decisão, caracterizada como um "grave retrocesso".
Israel aprova pena de morte para palestinos acusados de terrorismo
A lei que prevê pena de morte para para palestinos da Cisjordânia condenados por ataques fatais contra judeus foi aprovada pelo Parlamento de Israel — por 62 votos a favor e 48 contrários — na última segunda-feira (30).
O texto foi apresentado por membros de um partido de extrema-direita, dentro da coligaçãp governamental do primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu. A legislação se aplica àqueles que "causam intencionalmente a morte de uma pessoa com o obejtivo de negar a existência do Estado de Israel".
A lei estipula que a pena de morte seja aplicável até 90 dias após a condenação definitiva, com a possibilidade de adiamento de até 180 dias. Na prática, a norma exclui os terroristas judeus.
O texto obriga, com exceções ainda não definidas, os tribunais militares isarelenses a impor essa pena aos palestinos residentes na Cisjordânia ocupada. Por outro lado, tribunais que julgam cidadãos israelenses têm a possibilidade de aplicar a prisão perpétua.
A pena de morte existe em Israel, mas foi aplicada somente duas vezes: em 1948, pouco depois da criação do Estado, contra um capitão do Exército acusado de alta traição, e em 1962, quando o criminoso de guerra nazista Adolf Eichmann foi enforcado.
*Com AFP.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



