Oriente Médio: Otan acredita que aliança reabrirá Estreito de Ormuz
Chefe da entidade afirmou que países usaram as últimas semanas para definir uma resposta para a crise

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Mark Rutte, declarou, neste domingo (22), que está "absolutamente convencido" de que a aliança será capaz de reabrir o Estreito de Ormuz. A fala foi divulgada pela Fox News, em meio à tensões entre países-membros da Otan e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que critica o posicionamento da aliança sobre o conflito no Oriente Médio.
Rutte argumentou que, uma vez que os EUA realizaram uma operação militar sem informar os países que integram a Otan, os membros precisaram de um tempo para calibrar a resposta sobre a guerra.
"Aliados europeus e parceiros de todo o mundo usaram as últimas semanas para garantir que atuemos juntos. Eles começaram a planejar o que podemos fazer coletivamente como alidos, como parceiros dos Estados Unidos", disse o chefe da Otan.
Ele também classificou a operação dos EUA, em parceria com Israel, como "crucial" devido à "ameaça existencial" representada pelo Irã.
Trump chama países-membros da Otan de 'covardes'
O presidente norte-americano qualificou, na última sexta-feira (20), os países-membros da Otan como "covardes", por não atenderem à exigência do republicano de ajuda militar contra o Irã para controlar a rota marítima do Estreito de Ormuz.
A declaração foi divulgada na própria rede social de Trump, a Truth Social: "Covardes, e nós lembraremos!", escreveu o republicano. No texto, ele ainda disse que os aliados dos Estdos Unidos "não querem ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, uma manobra militar simples que é a única razão dos altos preços do petróleo. Tão fácil de executar para eles com tão pouco risco", acrescentou.
Indo contra à própria fala, o republicano assegurou na última semana, em diferentes declarações, que os Estados Unidos não precisam de ajuda militar de ninguém para liberar o Estreito de Ormuz. Mas, ao mesmo tempo, ele exige que os aliados contribuam para o esforço, já que a alta dos preços de petróleo, causada pelo bloqueio da passagem marítima, afeta o mundo todo.
Alemanha, Reino Unido, Itália, Japão e Países Baixos se reuniram e disseram em um comunicado, divulgado na última quinta-feira (19), que estão dispostos a "contribuir para os esforços apropriados" a fim de garantir a livre passagem localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificada como a principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Os países, entretanto, não se comprometeram formalmente com nenhuma missão na passagem marítima, enquanto a Itália, por exemplo, descarta qualquer operação sem uma trégua na guerra do Oriente Médio. Nenhum dos países aos quais Trump pediu ajuda foi consultado antes da missão estadunidense-israelense começar em 28 de fevereiro.
Estreito de Ormuz
O Irã decidiu fechar a passagem marítima em represália aos ataques dos Estados Unidos e de Israel no país, que acontecem desde 28 de fevereiro. A medida aumentou os problemas logísticos e de abastecimento, elevando o preço do barril de petróleo bruto para mais de U$110 (cerca de R$573). Para se ter uma noção, em tempos normais, o 20% do petróleo e do Gás Natural Liquefeito (GNL) consumidos a nível mundial passam pelo Estreito de Ormuz.
*Com AFP e CNN Brasil
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



