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ONU alerta para crise no Estreito de Ormuz e pede reabertura imediata da rota

Secretário-geral da entidade, António Guterres, defendeu a reabertura imediata da rota durante reunião

Foto divulgada pela Guarda Revolucionária do Irã, a Iran's Revolutionary Guards Corps (IRGC)'s, em 17 de fevereiro, mostra um foguete sendo lançado de um barco em um exercício militar no estreito de Ormuz • Foto por - / SEPAH NEWS / AFP

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou, nessa segunda-feira (27), para o agravamento da crise no Estreito de Ormuz e classificou a instabilidade na região como uma ameaça à segurança marítima e à economia global. Durante reunião do Conselho de Segurança sobre a proteção de hidrovias, o secretário-geral da entidade, António Guterres, defendeu a reabertura imediata da rota.

Segundo Guterres, a desobstrução do estreito é essencial para a retomada do comércio internacional e para que “a economia global respire”. Ele também destacou o risco de “desastres ambientais de grande escala” e pediu a livre circulação de navios “sem pedágios nem discriminação”, além de reforçar a necessidade de moderação, diálogo diplomático e respeito ao direito internacional.

Em meio à escalada de tensões, a Organização Marítima Internacional (OMI) anunciou a criação de um protocolo de evacuação estratégica para retirar navios e tripulações de áreas de conflito. De acordo com o secretário-geral da agência, Arsénio Dominguez, o plano prevê o uso de corredores protegidos, com base em esquemas já existentes de separação de tráfego, e poderá ser implementado de forma imediata, caso haja garantias mínimas de segurança. Países da região, incluindo o Irã, participaram da elaboração da proposta.

Especialistas alertam para os impactos globais de eventuais bloqueios. O pesquisador sênior do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), Nick Childs, destacou que cerca de 80% do comércio mundial, em volume, é transportado por via marítima. Segundo ele, interrupções em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz podem provocar “ondas de choque econômicas” com efeitos sobre bilhões de pessoas.

Dados da OMI indicam que aproximadamente 20 mil pessoas estão retidas em cerca de 2 mil embarcações no Golfo Pérsico, em meio à escalada geopolítica. A agência afirma que a paralisação do tráfego marítimo na região ameaça não apenas o fluxo financeiro global, mas também a segurança alimentar de diversos países.

* Com informações de Agência Brasil