'Nós o encontraremos': ICE publica ameaça a imigrantes no dia das eleições nos EUA
Agência de segurança reforça narrativa do governo liderado por Donald Trump contra o voto de 'não cidadãos', mas imigrantes que não possuem a cidadania estadunidense são proibidos de votar no país

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês), publicou, nesta terça-feira (3) — dia que marca a votação para as midterms, eleições de meio de mandato, no país —, uma mensagem ameaçando imigrantes que "votarem ilegalmente".
A publicação acontece em um cenário onde o governo de Donald Trump investe na narrativa contra o voto de não cidadãos, ainda que esses casos sejam raros nos EUA. Nas eleições norte-americadnas imigrantes ilegais não podem votar. Nem mesmo residentes estrangeiros que possuem documentação regular são autorizados a participar dos pleitos.
"Se você votar ilegalmente, nós o encontraremos. Nós o rastrearemos, o prenderemos e o processaremos. Não haverá escapatória", disse a publicação divulgada no perfil do ICE nas redes sociais.
If you vote illegally, we will find you. We will track you down, arrest you, and prosecute you. There will be no escape.
— U.S. Immigration and Customs Enforcement (@ICEgov) November 3, 2026
Na segunda-feira (2), a Suprema Corte dos Esatados Unidos rejeitou uma tentativa do governo federal de desconsiderar cerca de 20 mil votos do estado da Califórnia, estado amplamente dominado pelo Partido Democrata, oposição de Trump. A alegação era de que os votos não eram de cidadãos americanos.
O governo federal havia pedido à Corte que os votos contestados na Califórnia fossem separados até que a cidadania dos eleitores pudesse ser verificada. Apesar de negar o pedido, a Suprema Corte não detalhou os motivos da decisão.
Política anti-imigração de Trump
Desde que retornou à Presidência, Donald Trump estabeleceu uma meta de 300 imigrantes presos por dia. Como consequência, o número de imigrantes mantidos em prisões do ICE cresce na velocidade mais rápida desde a fundação da agência em 2003 — quando era possível manter apenas 7 mil imigrantes presos por vez.
O número de detenções de imigrantes no país alcançou um novo recorde em agosto. O Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês), órgão ao qual o ICE está vinculado, divulgou que 50.925 imigrantes foram detidos ao longo do mês.
É o maior registro de prisões em um só mês desde que o governo dos Estados Unidos iniciou uma política de caça e deportação de cidadãos estrangeiros que vivem em território estadunidense de maneira irregular.
Ainda assim, o número alcançado no mês de agosto ainda está abaixo da meta inicial estabelecida pelo próprio Donald Trump, ao retornar à Casa Branca.
O republicano havia determinado que o ICE detivesse, por ano, cerca de 1 milhão de pessoas. Entretanto, em 2025, o número total foi de 328 mil detenções, de acordo com dados do próprio ICE divulgado pela imprensa norte-americana.
Em 2026, dois cidadãos estadunidenses foram mortos a tiros por agentes do ICE. A discussão sobre violência associada ao ICE envolve denúncias organizadas por ONGs de direitos humanos, relatos de imigrantes detidos e a contestação dessas acusações pelo próprio governo e defensores da agência.
Quem são algumas das pessoas mortas por agentes do ICE em 2026:
- Renee Nicole Good, de 37 anos, foi alvejada por um agente quando passou de carro por uma área residencial onde ocorria uma operação do ICE, em Minneapolis, capital do Minnesota.
- Alex Pretti, também de 37 anos, morreu após ser baleado por um agente do Departamento de Segurança Interna dos EUA durante uma patrulha em um protesto contra a política migratória do governo de Donald Trump.
- Joan Sebastian Guerrero, um colombiano de 26 anos, morreu após levar tiros de um agente do ICE no Maine. Ele havia autorização para trabalhar nos EUA.
- Lorenzo Salgado Araújo, um mexicano de 52 anos, que vivia há anos em Houston, no Texas, também morreu durante uma abordagem pelo Serviço de Imigração e Alfândega do país.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



