Midterms: entenda como 'estados-chave' podem virar a disputa do Senado nos EUA
Eleições de meio de mandato acontecem nesta terça-feira (3) e definirão Congresso; 35 vagas para o Senado estão em disputa, com republicanos maioria das cadeiras atualmente

As midterms, eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que acontecem nesta terça-feira (3), promete um embate acirrado pela maioria do Senado. A votação definirá 35 das 100 cadeiras. Além disso, também determina a composição total da Câmara dos Representantes.
A definição do Congresso pode ter impacto direto sobre o mandato do presidente Donald Trump, influenciando a capacidade dele de implementar a agenda do governo nos próximos dois anos. O republicano enfrenta um dos piores índices de aprovação.
O partido de Donald Trump entra nas midterms com a maioria de 53 senadores na Casa. A oposição ocupa 47 assentos. Para inverter o placar, os democratas precisam "virar" quatro cadeiras, enquanto tentam manter outras consideradas frágeis, como no Michigan.
Os estados de New Hampshire e Georgia, apesar das pesquisas recentes apontarem a manutenção do Partido Democrata, também entraram no radar. Segundo divulgado pela imprensa estadunidense, citando institutos de análise eleitoral, oito estados aparecem com possibilidade de virada:
- Alasca
- Iowa
- Kansas
- Maine
- Michigan
- Ohio
- Texas
- Carolina do Norte
Alasca
Atualmente sob comando republicano, o cenário no Alasca traz a democrata Mary Peltola apostando em seu perfil moderado. Com forte apelo nas áreas rurais e entre as comunidades indígenas, Peltola constrói sua imagem de forma independente, ao mesmo tempo em que declara apoio ao setor de petróleo e gás.
No lado republicano, o senador Dan Sullivan tenta garantir seu terceiro mandato consecutivo, cargo que ocupa desde 2015. Aliado de Donald Trump, ele busca vincular a imagem de Peltola à ala do Partido Democrata em Washington que se opõe aos combustíveis fósseis.
A disputa ganha um contorno peculiar com a presençade outros dois nomes na corrida, incluindo o independente Dan J. Sullivan Jr. — uma quase homonímia que pode provocar confusão entre os eleitores e pulverizar a votação republicana de Dan Sullivan.
Iowa
Embora atualmente republicano, o Iowa entrou no radar dos democratas diante do cenário incerto em Michigan, que pode migrar para a oposição. O pleito contrapõe a republicana Ashley Hinson, deputada federal desde 2021, e o democrata Josh Turek, deputado estadual e medalhista de ouro paralímpico no basquete em cadeira de rodas.
Para virar o jogo, a estratégia democrata foca na insatisfação popular com a economia e nos impactos das tarifas comerciais sobre o setor agrícola, afetado pela queda nos preços dos produtos e pela alta em insumos como diesel e fertilizantes. Os republicanos, por sua vez, trabalham para consolidar sua hegemonia histórica no estado.
Kansas
Historicamente alinhado aos republicanos, o Kansas transformou-se em um campo de batalha mais acirrado do que se previa. O democrata Adam Hamilton, pastor metodista à frente da maior congregação local, desafia o atual senador republicano Roger Marshall.
Hamilton adota uma linha moderada na tentativa de atrair eleitores do centro e de diferentes vertentes ideológicas. Contudo, os republicanos atacam seu posicionamento, destacando seu respaldo ao movimento "Black Lives Matter" e à regularização de imigrantes sem documentação.
Maine
O Maine desponta como uma das principais apostas de virada para o Partido Democrata. Após redefinições na escolha de seus quadros, a legenda definiu Troy Jackson, ex-presidente do Senado estadual, como seu representante oficial.
Ele enfrenta a senadora republicana Susan Collins, em um embate no qual ambos os candidatos compartilham raízes profissionais ligadas ao setor madeireiro.
Michigan
Central na disputa pelo controle da maioria no Senado americano, a eleição em Michigan coloca frente a frente o republicano Mike Rogers, ex-deputado federal, e o democrata Abdul El-Sayed, de 41 anos, médico, filho de imigrantes egípcios e criado na região metropolitana de Detroit.
A corrida no estado resume-se à conquista do eleitor de centro: El-Sayed busca engajar independentes e unificar as correntes democratas, enquanto Rogers, respaldado por Donald Trump, tenta carimbar o adversário como um nome da esquerda socialista.
Ohio
Sob atual representação republicana, Ohio figura entre os cenários mais promissores para a retomada de assento pelos democratas. A vaga é disputada pelo ex-senador democrata Sherrod Brown e pelo republicano Jon Husted, indicado ao cargo em janeiro de 2025 para suprir a vaga deixada por JD Vance ao assumir a vice-presidência.
Apesar do favoritismo de Brown na arrecadação de recursos e do maior fôlego financeiro de sua campanha, a disputa permanece aberta e sem liderança consolidada nas pesquisas.
Texas
Tradicionalmente conservador, a corrida ao Senado no Texas converteu-se em um teste de força para os democratas. O deputado estadual James Talarico, no cargo desde 2018 e ex-professor da rede pública, enfrenta o republicano Ken Paxton, procurador-geral do estado desde 2015.
Talarico ganhou projeção ao viralizar com discursos críticos à fusão entre religião e pautas conservadoras, além de manter um tom populista contra corporações, bilionários e o poder do capital na política.
Paxton, um dos principais nomes da ala trumpista local com apoio explícito do ex-presidente, foca sua plataforma na restrição à imigração na fronteira, no endurecimento das leis sobre o aborto e na ampliação do direito ao porte de armas.
Carolina do Norte
Com histórico de apoio aos republicanos, a Carolina do Norte surge como um dos alvos prioritários de virada democrata no Senado.
Com a cadeira aberta após a desistência do republicano Thom Tillis em buscar a reeleição, o confronto direta ocorre entre o democrata Roy Cooper, ex-governador do estado, e o republicano Michael Whatley, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano.
A disputa ganha relevância pelo fato de que, a despeito das vitórias republicanas nas últimas quatro corridas presidenciais no estado, Cooper demonstrou ampla capacidade de furar bolhas e captar votos fora da base democrata tradicional.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



