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Americanos vão às urnas para eleição de meio de mandato fundamental para o Governo Trump

Democratas ameaçam controle republicano do Congresso Nacional e podem promover derrota histórica para Trump; oposição aposta em nova geração de políticos e pautas progressistas, enquanto presidente segue no discurso anti-imigração

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O presidente Donald Trump no Lincoln Memorial
O presidente Donald Trump no Lincoln Memorial • MANDEL NGAN / AFP

Pouco mais de 150 milhões de eleitores dos Estados Unidos vão às urnas, nesta terça-feira (3), para as chamadas ‘midterms’, as eleições de meio de mandato para o Congresso Nacional e os governos estaduais. O pleito com caráter de plebiscito sobre o governo do presidente Donald Trump bateu recorde com mais de 50 milhões de votos antecipados, e pesquisas indicam vitória dos democratas no Senado e na Câmara dos Deputados.

Caso se concretizem os levantamentos, Trump deve perder a governabilidade e ver sua administração passar por dois anos nas mãos da oposição para aprovar projetos no Legislativo. Caso os republicanos percam a maioria nas duas casas do Congresso Nacional, o presidente pode, inclusive, ser alvo de processos de impeachment.

Estão em jogo 35 cadeiras no Senado, composto por 100 membros, e todas as 435 vagas na Câmara dos Deputados. Segundo o agregador de pesquisas da plataforma PollsterGraph, atualizado pela última vez nesse domingo (1º), 52,7% dos eleitores tendem a votar no partido democrata, ante 43,7% nos republicanos.

Atualmente, o partido do governo possui a maioria frágil de 218 cadeiras na Câmara. Para os democratas assumirem o controle da Casa seriam necessários apenas mais 4 eleitos. No senado o cenário é semelhante, o partido de Trump possui 53 cadeiras, mas os democratas também precisam conquistar quatro assentos.

Para evitar o cenário que seria pior para seu governo, Trump intensificou a campanha no último mês e realizou uma série de comícios em diversos estados chaves para a eleição. O presidente também aposta em um discurso anti-imigração e focado na segurança pública para tentar convencer o eleitorado a votar nos candidatos republicanos, afirmando que os democratas podem “destruir” o país.

Presidente já fala em fraude

Nessa segunda-feira (2), Trump aproveitou a reinauguração do espelho d’água do Lincoln Memorial, na capital Washington, para atacar os democratas em seu discurso. Trump citou a disputa em dois estados chaves para a eleição no Senado: Michigan e Alasca, onde a oposição lidera as pesquisas de intenção de voto por margens apertadas.

O presidente lembrou da acusação de fraude no Alasca, voltando a acusar os democratas de conspirar para colocarem na cédula um candidato independente com o mesmo nome do candidato republicano.

“As mais recentes notícias provam que o partido democrata é muito corrupto. No Alaska eles conspiraram para colocar um falso ‘Dan Sullivan’ nas cédulas de votação para confundir os eleitores, concorrendo contra o verdadeiro ‘Dan Sullivan’. Eles colocaram alguém chamado Dan Sullivan para concorrer contra Dan Sullivan. É uma fraude, uma eleição fraudulenta”, declarou.

Trump também voltou a atacar o candidato democrata no Michigan, Abdul El-Sayed. Sem provas, o presidente acusa o opositor de fazer campanha em mesquitas descrevendo os Estados Unidos como a “Casa de Satã”. El-Sayed pode se tornar o primeiro senador muçulmano no Congresso americano, mas tem enfrentado uma campanha de intolerância religiosa nas últimas semanas

“Dois dias atrás foi noticiado que o candidato democrata ao Senado por Michigan, Abdul El-Sayed chamou os Estados Unidos de “a casa de satã”. Nós mudamos isso, nós chamamos os Estados Unidos de a casa de Deus. Não queremos pessoas que chamam o nosso país de a casa de Satã. Quando for votar, lembre-se que não podemos permitir que pessoas que odeiam o país governem”, afirmou Trump.

Democratas apostam em nova geração

O Partido Democrata aposta em um discurso progressista em que defende a taxação dos super ricos e um sistema nacional de saúde pública, impulsionado por candidaturas de uma nova geração de políticos. A legenda também viu ressurgir a liderança do ex-presidente Barack Obama, que aos 65 anos fez uma turnê pelo país e subiu no palanque dos seus candidatos no Texas, Geórgia, Michigan e Ohio.

O PollsterGraph ainda aponta que há uma possibilidade de 88% dos democratas controlarem o Senado com uma maioria de 51 parlamentares eleitores, contra 12% dos republicanos. Nesse caso, 8 estados possuem uma tendência forte de eleger um senador da oposição, enquanto dois são de prováveis democratas e três estão inclinados ao partido azul.

Em cinco estados as possibilidades são maiores para os republicanos, enquanto em dois a eleição de um aliado de Trump é mais provável, e outros quatro estão inclinados ao partido vermelho. Cerca de 11 estados estão com a disputa indefinida, incluindo estados fundamentais que podem mudar de lado para os democratas, como o Texas e o Maine.

A cadeira do Texas, por exemplo, é do partido Republicano há mais de 30 anos. Nesse caso, o jovem democrata James Talarico, de 37 anos, lidera as pesquisas com 50,5% das intenções de voto, segundo o agregador. O republicano Ken Paxton tem 47%.

No Michigan, a disputa também chama atenção. Uma rixa interna entre os democratas coloca em risco a vitória de Abdul El-Sayed, de 42 anos. A candidata derrotada nas primárias da oposição, Haley Stevens, declarou apoio ao republicano Mike Rogers nesse domingo. Horas depois, em um comício em Iowa, Trump convidou Stevens para se filiar aos governistas e a parabenizou pela atitude.

Segundo pesquisa do The New York Times, Abdul El-Sayed lidera a disputa contra Mike Rogers com 53% das intenções de voto, ante 42% do adversário. O levantamento ouviu 1.011 eleitores entre os dias 23 de outubro e 1º de novembro, com margem de erro de 3,8 pontos percentuais (p.p).

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

 

 

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