Manifestantes vão às ruas de Paris, após Justiça derrubar proibição de protestos na França
Jovens se reuniram pacificamente na região sudoste da capital francesa, sob forte presença policial; governo prepara operação de segurança para novas manifestações no sábado (24)

Pessoas foram às ruas de Paris, na França, nesta quinta-feira (22), após a Justiça derrubar a proibição de protestos considerados ilegítimos no país. Mais cedo, o presidente Emmanuel Macron havia anunciado que cidades não iriam permitir atos nos próximos dias, na tentativa de conter novos episódios de violência. A mobilização nacional protesta contra o alto custo de vida e a desigualdade social.
Organizadores e lideranças das manifestações disseram que um tribunal administrativo invalidou a proibição imposta após um recurso. A prefeitura de Paris havia justificado a medida citando os atos registrados no último fim de semana, entre os dias 17 e 18 de outubro, quando cerca de 500 mil pessoas protestaram e, uma parcela entrou em confonto com policiais, saquearam lojas e incendiaram carros.
Nesta quinta-feira (22), manifestantes, sendo a maioria jovens, se reuniram pacificamente na região sudoste da capital francesa, sob forte presença policial. Uma faixa afirmando que o futuro dos protestantes já era sombrio sem a necessidade de gás lacrimogêneo foi estendida. Os organizadores do ato assinaram um documento se comprometendo a manter o protesto em um lugar fixo, sem caminhada pelas ruas.
O direito à manifestação é protegido pela Constituição da França. Mesmo com o anúncio das proibições para atos previstos nos próximos dias, grupos de estudantes afirmaram que continuarão mobilizados.
Macron anuncia proibição de atos considerados 'ilegítimos'
O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou, nesta quinta, a proibição de manifestações consideradas ilegítimas nos próximos dias. A decisão aconteceu durante uma reunião entre Macron, ministros e representantes dos serviços de inteligência no Palácio do Eliseu, em Paris.
O jornal francês Le Monde divulgou que o presidente indicou a autoridades locais que impeçam atos convocados por pessoas ou grupos considerados sem legitimidade para organizá-los. "As regras são simples e acho que fazem parte do bom senso. A recomendação geral é que não haja manifestações nos próximos dias", afirmou Macron.
Entretanto, as características que tornariam o ato "ilegítimo" não foram divulgadas. Somente foi confirmado que protestos organizados por sindicatos poderão ser autorizados, mas com possíveis mudanças nos trajetos para proteger estabelecimentos comerciais e evitar novos confrontos.
Em Lyon, as manifestações foram proibidas de acontecer no sábado (24), entre as 16h e 23h. As proibições anunciadas também abrangeram cidades como Paris, Lille e Grenoble.
Macron atribuiu a violência do fim de semana a ações de grupos de extrema esquerda radical que, segundo ele, pretendiam derrubar a República, além de criminosos interessados em saquear estabelecimentos. A onda de protestos em Paris e em outras cidades levou as autoridades a decretarem toques de recolher noturnos.
Uma nova reunião entre o presidente, integrantes do governo e responsáveis pela segurança está prevista para sexta-feira (23). O encontro deve avaliar as medidas para conter os protestos convocados para o fim de semana.
França reforça segurança para novos protestos
As manifestações desta quinta-feira (22) foram vistas como uma preparação para um grande ato no sábado (24). A expectativa é que ativistas da Confederação Geral do Trabalho (CGT), se juntem ao movimento dos coletes amarelos, que organizaram protestos contra os preços dos combustíveis em 2018 e 2019.
Em resposta, autoridades locais informaram que também pretendem proibir algumas manifestações em Lyon, Marselha e Montpellier.
Na última quarta-feira (21), o primeiro-ministro da França, Sébastien Lecornu, se reuniu com representantes sindicais e afirmou que uma operação de segurança de grandes proporções será organizada para sábado (24). Os representantes dos sindicatos disseram que a reunião não resultou em propostas concretas.
Outra jornada de mobilização está prevista para 5 de novembro. Os representantes sidicais convocaram trabalhadores dos setores público e privado a participar.
O que está acontecendo na França?
A onda inicial dos protestos na França começou no dia 17 de setembro, em escolas de ensino médio nos arredores de Paris, ganhando rapidamente o apoio de professores, sindicatos e outros setores sociais.
Os alunos se manifestaram contra a falta crônica de professores, a ausência de substitutos, turmas superlotadas e a precariedade da infraestrutura das escolas públicas (como problemas de manutenção e falta de recursos). Rapidamente os atos foram marcados por forte repressão policial:
- Um estudante de 15 anos perdeu a mão em Lens, no Norte do país, após pegar uma granada de efeito moral, de agentes de segurança, que explodiu logo em seguida.
- O prefeito de Saint-Denis, Bally Bagyoko, foi atingido por gás de pimenta ao tentar proteger estudantes da polícia.
Com a enorme mobilização nacional, as manifestações ganharam apoio de sindicatos contra a alta no custo de vida e no preço dos combustíveis.
Em resposta, o governo liderado por Emmanuel Macron alega dificuldades para ampliar gastos em meio a um forte déficit público que ultrapassa 5% do PIB e uma dívida acumulada de trilhões de euros, priorizando cortes e outras frentes.

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



