O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (20) que pretende ter uma conversa “olho no olho” com o líder dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre assuntos de cooperação entre os dois países, incluindo os minerais críticos e terras raras. Os recursos são essenciais para o desenvolvimento de novas tecnologias e para a transição energética.
Em entrevista ao India Today, uma das maiores empresas de comunicação indianas, o petista disse que não quer transformar o Brasil em um “santuário da humanidade” e destacou que prefere que o beneficiamento dos minerais críticos seja realizado no Brasil e não fora dele.
“O Brasil possui muitos minerais críticos e terras raras, mas não queremos transferir território brasileiro para o santuário da humanidade. Prefiro negociar de forma soberana para que o processo de transformação desses minerais críticos seja realizado em nosso país, dentro do nosso país, e não fora dele. E venderemos para quem quisermos. Não aceitamos imposições”, declarou.
Segundo Lula, durante a visita que ele deve fazer à Casa Branca, em Washignton, no próximo mês, o fim do tarifaço aos produtos brasileiros também deve estar na mesa de negociação com Trump, além de uma cooperação no combate ao crime organizado.
“Agora, quero ir aos EUA porque, desde que ele [Trump] começou na Venezuela, disse que queria combater o crime organizado e o narcotráfico. Eu também quero combatê-los. E enviei a ele uma lista de brasileiros que contrabandeavam gasolina para o Brasil. E esse cidadão, esse criminoso, mora em Miami”, pontuou o presidente.
Venezuela
Na entrevista, Lula também defendeu que o ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro seja julgado em seu próprio país e não nos Estados Unidos, onde ele está preso desde janeiro sob a acusação de narcoterrorismo e conspiração.
“Maduro está preso e agora vamos consolidar o processo democrático na Venezuela, que é o que importa. É restabelecer a democracia na Venezuela, isso é o mais importante. E acredito que, se Maduro tiver que ser julgado, ele deve ser julgado em seu país, não no exterior. Não é aceitável a interferência de uma nação sobre a nação de outra”, frisou.
Dólar
Lula também voltou a defender que os países deixem de utilizar o dólar como única moeda no comércio exterior e passem a fazer as transações com suas próprias divisas. Ele afirmou que entende a “preocupação” dos EUA com a medida, mas destacou que o tema precisa ser debatido.
“A questão principal é que eles [EUA] se apropriaram da força do dólar e criaram uma moeda internacional que impacta todos os países. Portanto, também precisamos levar em consideração como faremos isso. Não é uma fantasia, não é algo que se possa fazer da noite para o dia, mas é algo que precisamos começar a analisar, e que o Brasil e a Índia poderiam fazer seu comércio. Precisamos do dólar?”, questionou.
O presidente negou ainda que os Brics – grupo liderado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – estejam planejando o lançamento de um moeda comum do bloco econômico.