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Indústria bélica do Irã é das 'mais avançadas do mundo', diz especialista

Guerra longa contra Estados Unidos e Israel pode ajudar o exército iraniano, ao desgastar e contrariar plano rápido de Trump

Por e 
Uma bola de fogo ilumina o céu após um ataque de míssil contra Tel Aviv em 28 de fevereiro de 2026
Uma bola de fogo ilumina o céu após um ataque de míssil contra Tel Aviv, em Israel, no dia 28 de fevereiro de 2026 • Foto por JOHN WESSELS / AFP

Ao contrário do que foi posto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o conflito contra o Irã pode durar cerca de quatro semanas, o país do oriente médio pode desejar um confronto mais duradouro e desgastante contra o país americano.

Segundo o professor de Relações Internacionais da PUC Minas, Danny Zaredine, em entrevista à Itatiaia, “o que EUA e Israel querem é uma guerra rápida, porque o desgaste diário pode gerar perda de apoio popular para Donald Trump e Netanyahu. Mas, para os iranianos, uma guerra mais longa e um desgaste contínuo gera um ganho que talvez esteja sendo procurado por eles a partir das ações com seus mísseis hipersônicos e seus e os seus drones suicidas”.

“O Irã possui uma das indústrias de mísseis balísticos mais avançadas do mundo. Eles possuem mísseis de curto, médio e longo alcance, mísseis hipersônicos que são capazes de criar problemas, principalmente para as bases para as bases militares americanas na região e para Israel, como nós temos visto hoje”, complementa o professor.

As ofensivas lideradas pelos EUA com apoio de Israel causaram a morte do ex-líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, assim como sua filha, nora, neta e esposa, no último sábado (28).

Sobre o apoio da população iraniana ao regime dos aiatolás, o professor explica que “a maior parte da população sente a morte dessa liderança, que é política e também religiosa, de certa forma cria uma sensação de unidade nacional. A questão é como a resposta do Irã em razão da morte do Khamenei pode tornar ainda mais brutais as ações que o Irã tem feito de retaliação aos aliados dos Estados Unidos e Israel”.

Os desdobramentos dos próximos dias podem impactar, inclusive, o Brasil, que mantém grandes relações com o Irã em exportações e importações. “O Brasil exporta muito milho para o Irã, exporta muitos grãos. O Irã exporta para nós também elementos de fertilizantes de plantas para o Brasil e petróleo”.

Sobre o petróleo, pode ser que o material sofra aumento significativo no valor em decorrência do conflito na região. Com a turbulência regional, o transporte marítimo está ameaçado pelo Estreito de Ormuz, entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, responsável por cerca de 20% do consumo global de petróleo.

Morte de aiatolá não indica fim do regime

Para o professor, a morte do aiatolá Ali Khamenei não representa o fim do regime teocrático do Irã e pode criar um sentimento de união na população em defesa do governo.

"Para esse regime cair, a população vai ter que se colocar contra o regime. E por isso que o próprio Donald Trump e o Netanyahu vão falar: nós vamos começar as ações, mas a mudança de fato é na mão dos iranianos", aponta Danny Zaredine.

O professor explica que o ataque teve como objetivo uma mudança no regime iraniano. “O que os americanos e Israel querem é uma troca de regime. Só que o Irã tem uma estrutura institucional muito consolidada”, continua.

“A morte de Khamenei não significa o fim do regime iraniano. Ao contrário, eles já esperavam que isso pudesse acontecer, tanto que existe uma linha sucessória. A própria não saída dele do palácio revela que ele soubesse que pudesse ser morto e ali permaneceu. Para esse regime cair, a população tem que se colocar contra esse regime”, avalia o professor.

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Gustavo Monteiro é estagiário do Portal Itatiaia e estudante de jornalismo na UFMG. Natural de Santos-SP, possui passagens pela Revista B&R e Secretaria do Estado de Minas de Comunicação Social.

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Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.

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Apaixonado por rádio, sou um bom mineiro que gosta de uma boa conversa e de boas histórias. Além de acompanhar a movimentação do trânsito, atuo também na cobertura de vários assuntos na Itatiaia. Sou apresentador do programa 'Chamada Geral' na Itatiaia Ouro Preto.

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.