Irã e EUA reivindicam vitória às vésperas de possível acordo de paz
Funcionários iranianos e estadunidenses declararam, nesta sexta-feira (12), que a assinatura de um tratado está mais próxima do que nunca

Com o fim da guerra no Oriente Médio entre Irã e Estados Unidos cada vez mais próximo, os governos dos dois países reivindicam a "vitória" no conflito, que completou 100 dias no último domingo (7).
De um lado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, afirma que o país venceu os Estados Unidos. Do outro, o presidente dos EUA, Donald Trump, também declara o Exército estadunidense como vencedor.
As duas declarações ocorrem em um momento em que um acordo de paz entre Irã e Estados Unidos parece iminente. Funcionários iranianos e estadunidenses declararam, nesta sexta-feira (12), que a assinatura de um tratado está mais próxima do que nunca — avaliação também compartilhada pelo Paquistão, mediador do conflito.
O acordo de conciliação ocorre após semanas de negociações e anúncios malsucedidos de ambas as partes.
Segundo o chanceler iraniano, assim que as últimas etapas da negociação forem concluídas, o acordo será "assinado e divulgado". "Isso pode acontecer nos próximos dias. Tenho boas esperanças", disse Araghchi à emissora estatal iraniana.
De acordo com ele, o projeto de acordo prevê a suspensão do bloqueio estadunidense aos portos iranianos e uma nova gestão do Estreito de Ormuz.
A agência de notícias iraniana Mehr havia divulgado anteriormente o que apresentou como o rascunho de um protocolo de 14 pontos, com condições como a manutenção do controle sobre Ormuz, o direito ao enriquecimento de urânio e o desbloqueio de US$ 24 bilhões em fundos iranianos congelados no exterior.
Por sua vez, Washington apresentou uma versão do texto totalmente diferente, prevendo a reabertura de Ormuz, o "desmantelamento" do programa nuclear iraniano e a diluição do urânio enriquecido iraniano pelos Estados Unidos.
Mas Araghchi assegurou nesta sexta-feira que esse processo de empobrecimento do urânio será realizado em território iraniano.
Teerã nega que seu programa nuclear tenha fins bélicos, como afirmam os Estados Unidos e Israel.
Sem encontro presencial
Um alto funcionário da Casa Branca estimou, em entrevista à AFP, entre "80% e 85%" a probabilidade de um acordo que abriria um período de 60 dias de conversas técnicas. "Ainda não cruzamos a linha de chegada", afirmou.
A Suíça já se ofereceu para sediar a eventual assinatura do pacto de paz. No entanto, Teerã informou que a rubrica será feita "à distância".
Os mercados receberam com otimismo essa perspectiva nesta sexta-feira, com o preço do petróleo abaixo de US$ 90 por barril.
Trump, que já anunciou em 39 ocasiões a iminência de um acordo, segundo uma contagem da CNN, tem dificuldades para encontrar uma saída para essa guerra impopular às vésperas das eleições americanas de meio de mandato.
*** Com informações de AFP.
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