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EUA: Trump diz que decisão da Suprema Corte sobre cidadania é 'vitória' para China

Tribunal decidiu manter interpretação ampla da cidadania por nascimento; republicanos afirmam que chineses praticam 'turismo de nascimento'

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump • Official White House Photo by Patrick B. Ruddy.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ironizou a decisão da Suprema Corte sobre a cidadania por nascimento, afirmando que o feito é uma "vitória enorme" para a China. O republicano ainda "parabenizou" o líder chinês Xi Jinping.

A declaração foi publicada na Truth Social nesta terça-feira (30). "Gostaria de parabenizar o presidente Xi e o grande país da China por sua enorme VITÓRIA na questão da cidadania por nascimento!", escreveu o republicano.

Mais cedo, a Suprema Corte dos EUA decidiu manter uma interpretação ampla da cidadania por nascimento. A medida rejeita a ordem executiva assinada pelo presidente norte-americano, no primeiro dia de seu segundo mandato, que declarava que filhos de imigrantes ilegais ou turistas não eram cidadãos estadunidenses.

O governo Trump e outros conservadores apontam que alguns cidadãos chineses praticam o "turismo de nascimento" — caracterizado pela viagem intencional aos Estados Unidos, nos últimos estágios de uma gravidez, para que os filhos obtenha a cidadania norte-americana. Para alguns republicanos a prática é uma questão de segurança nacional, alegando possíveis vínculos com o Partido Comunista Chinês.

Suprema Corte dos Estados Unidos • Reprodução/Canva
Suprema Corte dos Estados Unidos • Reprodução/Canva

Suprema Corte dos EUA mantém direito à cidadania por nascimento

Os juízes da Corte, por 6 votos a 3, confirmaram, nesta terça-feira (30), um entendimento consolidado da 14ª Emenda da Constituição e concluíram que qualquer pessoa nascida no país, com exceções extremamente limitadas, é cidadã dos Estados Unidos. Vale destacar que as restrições impostas por Trump já haviam sido barradas por tribunais de instâncias inferiores e nunca chegaram a entrar em vigor.

A chamada cidadania por direito de nascença está prevista na 14ª Emenda da Constituição dos EUA — que afirma que "todas as pessoas nascidas nos Estados Unidos são cidadãos dos Estados Unidos". No primeiro dia do segundo mandato enquanto presidente, Donald Trump assinou uma ordem executiva limitando esse direito, mas sem detalhes claros sobre a concessão da cidadania. A medida do republicano é parte da promessa de campanha que tem como forte objetivo o "combate à imigração".

O caso chegou à Suprema Corte por meio de um processo iniciado no estado de New Hampshire, batizado de "Trump versus Barbara". O nome faz referência ao caso de uma imigrante hondurenha chamada Barbara, moradora do estado de New Hampshire, que processou o governo Trump por considerar inconstitucional uma medida que restringe a cidadania norte-americana.

Barbara e o marido dela são imigrantes não documentados, além de ter três filhos, todos nascidos em Honduras. A decisão de processar o governo surgiu após descobrir estar grávida do quarto filho, que nasceria nos Estados Unidos, mas não teria direito à cidadania.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.