França registrou ao menos 300 mortes adicionais durante onda de calor em maio
Marco foi divulgado pelas autoridades de saúde nesta terça-feira (30), em um cenário de maior tensão sobre o governo pela gestão de episódios de calor extremo

A França registrou ao menos 300 mortes adicionais, o que significa o número de óbitos que superam a média esperada para um determinado período, durante a primeira onda de calor de 2026, que atingiu o país no fim do mês de maio. O marco foi divulgado pelas autoridades de saúde nesta terça-feira (30), em um cenário de maior tensão sobre o governo pela gestão desses episódios de calor extremo.
O dado denuncia que, entre os dias 24 e 28 de maio, "foram registradas 300 mortes adicionais", em comparação com uma situação normal — sendo cerca de 14% a mais, segundo a diretora da agência de saúde pública, Caroline Semaille. Mas, vale destacar que o número inclui mortes de todas as causas e, portanto, "não está necessariamente relacionado à onda de calor ou às altas temperaturas", ressaltou.
A França já enfrentou duas ondas de calor de intensidade e precocidade inéditas. Segundo o serviço meteorológico Météo-France, um novo episódio pode ocorrer a partir do próximo fim de semana, com temperaturas acima de 35°C. A agência nacional de saúde pública informou no domingo (28) que, desde 25 de junho, foram registradas cerca de 1.000 mortes adicionais em relação aos meses anteriores, embora o balanço final ainda possa aumentar. Segundo as autoridades, 85% dos mortos tinham 65 anos ou mais.
Tensão sobre governo francês
A deputada ecologista Cyrielle Chatelain anunciou a apresentação de uma moção de censura após um debate tenso no Parlamento com o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, a quem acusou de "ter mortes na consciência". "A situação que vemos hoje em nossas escolas e hospitais mostra que temos um governo incapaz de gerir a situação, que não antecipou nada", declarou Chatelain à imprensa.
O primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, afirmou ser favorável à criação de uma comissão de investigação sobre a adaptação às mudanças climáticas, também defendida pelos ecologistas.
Onda de calor mata crianças na França
Um bebê de um ano e meio morreu após ser deixado dentro de um carro em Marselha, no Sudoeste da França. Ela foi encontrada em um veículo parado no estacionamento de um hospital universitário em meio à onda de calor que atinge o país.
O caso ocorreu no dia 23 de junho, considerado o dia mais quente da história do país. Os bombeiros da cidade — a segunda maior da França — disseram que foram acionado pouco antes das 14h (9h de Brasília) após a descoberta da criança. O bebê foi encaminhado ao pronto-socorro pediátrico do hospital, mas não resistiu.
Não é a primeira vez que o país registra mortes de crianças durante a onda de calor neste ano. No dia 22, dois irmãos, de dois e quatro anos, também foram encontrados mortos dentro da carro da família em Carpentras. Dias depois outra criança, de três anos, morreu dentro de um veículo em Saint-Gratien.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



