EUA acrescentam acusação de tortura contra Maduro e esposa, Cilia Flores
Novo documento judicial afirma que o casal participou de um grande esquema de conspiração para torturar os opositores e os cidadãos americanos durante o período em que eles estiveram no governo venezuelano

O ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, passaram a responder também por uma acusação de conspiração para cometer tortura nos Estados Unidos. A nova denúncia foi apresentada nesta quinta-feira (8) pela Promotoria Federal de Nova York e amplia o processo criminal que já envolvia acusações de narcoterrorismo, tráfico de cocaína e crimes relacionados a armas.
Segundo o novo documento judicial, Maduro e Flores teriam participado de um sistema de repressão utilizado para perseguir opositores políticos, silenciar dissidentes e preservar o poder, com o uso de detenções arbitrárias, violência e tortura.
As acusações são feitas pelos promotores americanos e ainda não foram comprovadas judicialmente. O Departamento de Justiça dos EUA afirma que os réus são presumidos inocentes até eventual condenação.
Choques elétricos e espancamentos
A acusação descreve casos de pessoas que teriam sido submetidas a diferentes formas de violência enquanto estavam detidas na Venezuela. Entre os métodos citados estão choques elétricos, espancamentos, asfixia, violência sexual, privação de comida e água e tortura psicológica.
Entre os casos relatados pelos promotores estão cidadãos americanos presos na Venezuela. Em um episódio citado no processo, uma pessoa teria sofrido choques elétricos nos braços, pernas e genitais, além de espancamentos, asfixia e aplicação forçada de uma substância que teria provocado convulsões.
A Promotoria também menciona episódios ocorridos em diferentes períodos de instabilidade política na Venezuela. Segundo os investigadores, a violência teria sido empregada como forma de intimidar opositores e pessoas consideradas ameaças ao governo.
Acusações anteriores
Antes da inclusão do crime de tortura, Maduro e Flores já respondiam nos Estados Unidos por acusações relacionadas a narcoterrorismo, importação de cocaína e posse ou utilização de armas de fogo e dispositivos destrutivos.
De acordo com os promotores, o casal teria utilizado estruturas do Estado venezuelano para proteger atividades relacionadas ao tráfico de drogas e, paralelamente, manter um sistema de repressão contra adversários políticos.
A nova denúncia afirma ainda que milhares de venezuelanos teriam sido ameaçados, presos, agredidos, torturados ou mortos por integrantes de estruturas ligadas ao Estado desde o final da década de 1990.
Defesa nega acusações
Maduro e Flores se declararam inocentes das acusações anteriores. O ex-presidente também afirma que sua captura pelos Estados Unidos foi ilegal e se apresenta como um “prisioneiro de guerra”.
A defesa do casal questiona a própria jurisdição americana sobre o processo e sustenta argumentos relacionados à imunidade decorrente dos cargos que ocupavam na Venezuela. A Promotoria rejeita essa tese.
O julgamento de Maduro e Cilia está marcado para 1º de junho de 2027. O casal está detido em um presídio no Brooklyn, em Nova York, há cerca de 10 meses, desde de janeiro de 2026.
Estudante de Jornalismo na PUC e apaixonada pela área, Gabriela Neves gosta de contar histórias empolgantes e desafiadoras. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e mundo. Tem experiência em marketing pela Rock Content, cobertura de cidades pela Record Minas e assessoria política na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.
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