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Estados Unidos planejam ataques em terra contra narcotraficantes na América Latina

Pentágono divulgou que operações terão modelo semelhante ao usado contra supostas lanchas de drogas no Caribe e no Pacífico que deixaram ao menos 215 mortos no ano passado

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Pete Hegseth, Secretário de Defesa dos Estados Unidos
Pete Hegseth, Secretário de Defesa dos Estados Unidos • Reprodução

O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, afirmou que os Estados Unidos planejam atacar "em terra" narcotraficantes na América Latina, como já fazem em águas internacionais contra supostas embarcações que atuariam no contrabando de drogas. A fala aconteceu na quarta-feira (12), enquanto a autoridade está no Panamá.

O governo do presidente Donald Trump lançou, em setembro do ano passado, uma campanha de bombardeios aéreos contra supostas lanchas do narcotráfico no Caribe e no Oceano Pacífico oriental, que deixaram ao menos 215 mortos.

Segundo Pete Hegseth, os planos de operações antidrogas terrestres se enquadram nos esforços de uma aliança de 19 países liderada por Trump, mas poderão ser ampliados "onde quer" que operem grupos do narcotráfico.

A autoridade também afirmou que no curto prazo, os Estados Unidos esperam mobilizar, junto com seus aliados, uma "capacidade operacional como a que viram com os ataques às lanchas de drogas" no Caribe e no Pacífico.

Será "o mesmo efeito em terra, e por isso estamos trabalhando com Equador, Colômbia, com parceiros para levar a luta às DTO (organizações designadas terroristas) em terra", afirmou Hegseth — que viajou ao Panamá para exercícios militares que cerca de 20 países realizam no território anualmente.

"Onde quer que trafiquem drogas ou ameacem o povo americano ou nossos parceiros, [essas organizações] são um alvo, assim como o Isis [acrônimo em inglês do grupo Estado Islâmico] ou a Al Qaeda", acrescentou o chefe do Pentágono. A Coalizão Anticartéis das Américas reúne países como Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Honduras e Peru, com governos de direita.

Hegseth destacou que a advertência dele aos cartéis é "séria", "daqui embaixo, no tráfico de cocaína, até o fentanil nas praças do México", além dos remanescentes das guerrilhas colombianas, que definiu como "alvos legítimos". O México, onde operam poderosas organizações criminosas, citado pela autoridade, não faz parte da aliança.

Por fim, o chefe do Pentágono defendeu a letalidade dos ataques contra as supostas narcolanchas que, segundo juristas e organizações de defesa dos direitos humanos, podem constituir execuções extrajudiciais.

"Não vamos submetê-los a um processo judicial, onde sabemos que serão liberados. Vamos destruir estas redes com todas as capacidades do governo americano", ameaçou.

Ataques dos EUA no Caribe e Pacífico

Enquanto o Pentágono alega que está combatendo o narcotráfico, especialistas apontam que atuação do país equivale a execuções extrajudiciais • Reprodução / SOUTHCOM
Enquanto o Pentágono alega que está combatendo o narcotráfico, especialistas apontam que atuação do país equivale a execuções extrajudiciais • Reprodução / SOUTHCOM

A campanha militar dos Estados Unidos com ataques aéreos e mísseis contra supostas lanchas do narcotráfico no Mar do Caribe e no Oceano Pacífico já deixou ao menos 215 mortos desde setembro de 2025. As ações, justificadas por Washington sob o argumento de combater o "narcoterrorismo", geram fortes críticas de juristas e entidades de direitos humanos devido à ausência de processos legais.

  • Início no Caribe (setembro de 2025): o primeiro ataque ocorreu em 1º de setembro de 2025, quando a Marinha americana destruiu uma lancha rápida que havia partido do estado de Sucre, na Venezuela, em direção ao sul do Caribe. O governo alegou que a embarcação transportava narcóticos e pertencia à organização Tren de Aragua.
  • Expansão para o Pacífico (outubro de 2025): a partir de outubro, a campanha estendeu os bombardeios para o Oceano Pacífico Oriental, visando rotas marítimas que conectam a América do Sul (Colômbia e Equador) à América Central e ao México.
  • Escala das Operações: ao longo do último quadrimestre de 2025, foram dezenas de ataques registrados no Caribe e no Pacífico, utilizando ativos do Comando Sul dos EUA (USSOUTHCOM), da Força Aérea, Marinha e Guarda Costeira.

Trump e combate a cartéis de drogas na América Latina

A abordagem do governo Donald Trump para o combate aos cartéis de droga na América Latina baseia-se na militarização das ações antidrogas e na requalificação dessas organizações criminosas como ameaças terroristas.

No início do segundo mandato, o governo republicano reclassificou diversos cartéis e facções criminosas da América Latina como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs) e Grupos Terroristas Globais Especialmente Designados.

Grupos visados:

  • Cartéis mexicanos (Sinaloa, Jalisco Nova Geração, Cartel do Nordeste, Clã do Golfo, Família Michoacana).
  • Tren de Aragua (origem venezuelana).
  • Mara Salvatrucha (MS-13) e gangues no Haiti (como Viv Ansanm).

A mudança equipara os cartéis a grupos como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico, alterando as regras de engajamento e expandindo a autoridade do presidente e do Departamento de Defesa para operar militarmente.

Para sustentar as ações na América Latina, a administração impulsionou coalizões regionais:

  • Coalizão de Combate aos Cartéis nas Américas (A3C / Escudo das Américas): iniciativa política e militar lançada para reunir governos da região dispostos a compartilhar inteligência e coordenar operações.
  • Alinhamento com países parceiros: países com governos ideologicamente alinhados ou abertos à cooperação militar — como Equador, Colômbia, El Salvador e Argentina — têm sido os principais parceiros em compartilhamento de dados de inteligência e logística.

Entretanto, a sinalização de ações militares unilaterais ou pressão externa gerou fortes reações de líderes regionais. Países como o México rejeitaram a presença de tropas americanas em seu território.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

 

 

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