Eleições no Peru: apuração chega a 100%, Fujimori tem maioria, mas falta oficialização
Jurado Eleitoral Especial, órgão máxmo das eleições no país, ainda precisa oficializar o resultado

Keiko Fujimori, candidata de direita à Presidência do Peru, tem a maioria dos votos no segundo turno das eleições — que atinge o marco de 100% das urnas apuradas, nesta segunda-feira (29). Mesmo assim, o Jurado Eleitoral Especial, órgão máxmo das eleições no país, ainda precisa oficializar o resultado.
Fujimori aparece com 9.223.396 de votos, ou 50,135%, contra 9.137.755 de votos do concorrente, Roberto Sánchez, ou 49,865% dos votos. A votação aconteceu em 7 de junho e, desde então, a apuração mostrou um cenário de grande polarização no país. O Jurado Eleitoral Especial deve oficializar o resultado até a próxima sexta-feira (3).
Na última quarta-feira (24), Fujimori alcançou uma vantagem irreversível dos votos na apuração e, na ocasião, fez um discurso como vencedora de fato do pleito, mas sem reivindicar a vitória. Ela prometeu voltar a unir o país.
Por outro lado, Sánchez já afirmou, diversas vezes, que não reconhecerá o resultado das eleições. Mas, mesmo assim, a imprensa peruana afirma que Fujimori deve ser declarada a nova presidente do Peru.
Recontagem dos votos
Na última semana, Sánchez alegou fraude nas eleições e convocou novas marchas de protesto no sábado (27). O esquerdista disse ainda que pedirá recontagem. O candidato do partido Juntos por el Perú chegou a liderar apuração durante alguns dias, mas Fujimori voltou a passar à frente após o início da apuração dos votos de cidadãos peruanos no exterior.
Na segunda-feira (22), Roberto Sánchez apresentou um novo recurso para anluar os votos dos peruanos residentes fora do país. Ele alega irregularidades administrativas e problemas na gestão das cédulas de votação pelo órgão eleitoral no pleito realizado no exterior — o que representa cerca de 300 mil votos, que teriam favorecido Fujimori. Para Sánchez, se os votos do exterior forem excluídos, ele teria uma vantagem de aproximadamente 25 mil votos sobre a adversária.
O partido dele, Juntos por el Perú, havia entrado com uma ação judicial em 16 de junho, também exigindo a anulação de todos os votos no exterior. O processo indica que uma resolução de maio, que alterou a forma como as cédulas são processadas — deixando de ser digitalizadas nos consulados e passando a ser enviadas fisicamente a Lima em malas diplomáticas para serem contadas na capital — foi emitida em "flagrante violação do princípio da inviolabilidade eleitoral".

Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



